Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Os preços da arroba do boi gordo no estado de São Paulo encerraram julho dando sinais de estabilidade, após um mês marcado por quedas consistentes. Segundo o CEPEA/Esalq, o Indicador fechou o dia 31 a R$ 293,50, acumulando recuo de 7,5% em relação ao final de junho. No mercado a prazo, com liquidação em 30 dias, o valor ficou em R$ 298,10, também em queda de 7,2% no mesmo intervalo.
Pesquisadores do CEPEA avaliam que, embora a pressão baixista tenha predominado durante boa parte do mês, o ritmo das desvalorizações desacelerou nos últimos dias. Isso se deve, principalmente, à postura mais cautelosa dos frigoríficos nas compras, mesmo diante de uma oferta ainda elevada de animais prontos para abate. Essa maior disponibilidade é resultado de dois fatores: a intensificação da saída de bois provenientes de confinamento e a piora das pastagens durante o período seco, que leva produtores a anteciparem o descarte.

A demanda interna, no entanto, segue como ponto de atenção. As vendas de carne bovina no mercado doméstico não mostram força suficiente para sustentar altas de preços no curto prazo, mantendo as indústrias atentas à relação entre custo da matéria-prima e escoamento da produção. Ao mesmo tempo, exportações em ritmo mais moderado e a concorrência com outras proteínas de menor preço reforçam o cenário de cautela.
Apesar disso, especialistas apontam que a resistência de pecuaristas em negociar a valores muito abaixo dos pisos praticados limita quedas mais acentuadas. Essa postura, somada à tendência de estabilidade observada no fechamento de julho, pode manter o mercado lateralizado nas próximas semanas, com pequenas oscilações para cima ou para baixo. O comportamento das escalas de abate, o avanço da oferta de animais confinados e eventuais mudanças na demanda interna e externa serão determinantes para definir o rumo das cotações no início de agosto.
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