Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A tão aguardada fusão entre BRF e Marfrig caminha para uma definição nas próximas semanas. As empresas marcaram para o dia 5 de agosto as novas assembleias que irão deliberar sobre a operação que pode consolidar uma das maiores companhias de alimentos do mundo: a MBRF Global Foods Company.
O novo cronograma surge após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitar ajustes no processo, incluindo maior transparência sobre critérios de avaliação e troca de ações. A pressão veio, sobretudo, de acionistas minoritários, que alegam falta de clareza em informações divulgadas nos documentos iniciais. As assembleias estavam inicialmente previstas para julho, mas foram adiadas duas vezes por determinação do órgão regulador.
Agora, a BRF realizará sua assembleia de forma digital às 11h, enquanto a Marfrig reunirá seus acionistas presencialmente, às 15h, em São Paulo. Os votos enviados anteriormente foram invalidados, e os investidores precisam reenviar suas instruções: até 1º de agosto no caso da BRF e até 3 de agosto para a Marfrig, respeitando os prazos para envio de documentação pelas plataformas indicadas.
Apesar das exigências da CVM, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já aprovou a operação sem restrições no início de junho. No entanto, a Minerva Foods recorreu, apontando possíveis riscos à concorrência no segmento de food service e alegando conflito de interesses devido à participação do fundo saudita Salic nas duas companhias. O Cade acolheu o pedido e incluiu a Minerva como terceira interessada, o que pode atrasar a conclusão definitiva da fusão para 2026.
Anunciada em maio, a união entre BRF e Marfrig pretende gerar uma gigante do setor de proteína animal, com receita anual combinada superior a R$ 150 bilhões e sinergias estimadas em mais de R$ 800 milhões por ano. A proposta prevê a incorporação da BRF pela Marfrig, com distribuição de proventos aos acionistas — R$ 3,5 bilhões para os da BRF e R$ 2,5 bilhões para os da Marfrig.
Enquanto isso, o mercado aguarda com atenção os desdobramentos do processo, que ainda precisa vencer a desconfiança de investidores e os entraves regulatórios. O dia 5 de agosto pode marcar um novo capítulo para o setor de alimentos no Brasil — ou adiar, mais uma vez, o desfecho da maior fusão já planejada entre duas empresas brasileiras do agronegócio.
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