Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de carne bovina dos Estados Unidos enfrenta um dos momentos mais desafiadores das últimas décadas. Em junho de 2025, o preço da libra de carne moída atingiu US$ 6,12, o maior valor já registrado no país. O custo do bife cru também disparou, alcançando US$ 11,49 por libra, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Além da tradicional alta de demanda durante a temporada de grelhados e churrascos de verão, o cenário atual é resultado de uma confluência de fatores estruturais e políticos. O mais recente — e polêmico — é o anúncio de novas tarifas de até 76% sobre a carne bovina brasileira, que devem entrar em vigor a partir de 1º de agosto de 2025. A medida, defendida por setores nacionalistas da política americana, tem como objetivo proteger a pecuária local, mas pode agravar ainda mais os custos ao consumidor final.
Oferta em queda histórica
Outro elemento central para a elevação dos preços é a oferta restrita. Segundo o USDA, o rebanho bovino dos EUA chegou, em janeiro de 2025, ao menor nível desde a década de 1950: cerca de 86,7 milhões de cabeças. Secas prolongadas nos estados do Meio-Oeste, alta no custo da ração e o abate antecipado de matrizes fêmeas para aliviar os custos ao longo dos últimos anos comprometeram a capacidade de reposição do rebanho nacional.
“O ciclo de produção bovina é lento. Mesmo com boas condições climáticas nos próximos meses, a recomposição da oferta levará anos”, explicam analistas do setor agropecuário americano.

Interrupções e incertezas nas importações
Além da menor produção interna, os Estados Unidos enfrentam restrições pontuais nas importações. O caso mais recente foi a suspensão das compras de bovinos vivos do México após um surto de mosca-da-bicheira, o que reduziu cerca de 4% da oferta de carne magra para o processamento interno.
Na tentativa de se antecipar aos efeitos das tarifas, frigoríficos americanos intensificaram as compras de carne brasileira no primeiro semestre do ano. Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, abril de 2025 registrou o maior volume de carne bovina brasileira importada da história, em uma estratégia preventiva diante dos custos adicionais que as novas taxas trarão ao setor.
Pressão para o consumidor
Com a combinação entre menor oferta, importações restritas e medidas tarifárias, o reflexo direto está no bolso do consumidor. A expectativa é que os preços da carne permaneçam elevados até 2026 ou além, tornando o produto cada vez mais seletivo no cardápio americano.
“Não se trata apenas de inflação de alimentos — é uma mudança estrutural de acesso à proteína bovina”, aponta o consultor Mark Avery, da AgriMarket Insights. A tendência já se reflete em substituições na mesa dos consumidores, com aumento na procura por frango, carne suína e até alternativas vegetais.
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