As farinhas e gorduras de origem animal continuam ocupando espaço nas formulações destinadas à produção de aves, suínos, peixes e outras espécies. Em artigo técnico, a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) destaca que esses ingredientes podem contribuir para aumentar a densidade nutricional das dietas e melhorar o aproveitamento de coprodutos da cadeia de proteína animal.
A utilização está associada à busca por maior eficiência na produção de rações, em um cenário no qual disponibilidade de matérias-primas, custos, digestibilidade e desempenho produtivo influenciam as decisões dos nutricionistas.
Proteína, energia e minerais
Segundo o material, a farinha de sangue pode apresentar aproximadamente 85% de proteína bruta, enquanto a farinha de penas hidrolisadas pode superar 80%. Os valores, no entanto, variam conforme a matéria-prima, o processamento e o padrão de qualidade adotado.
Farinha de carne e ossos e farinha de vísceras também fornecem proteínas e minerais, como cálcio e fósforo. Já as gorduras animais podem elevar a concentração energética das dietas e auxiliar na redução da pulverulência da ração.
Complementaridade nutricional
Além da quantidade total de proteína, a composição de aminoácidos determina o potencial de cada ingrediente. Lisina, metionina, treonina, arginina, glicina, taurina e hidroxiprolina aparecem em diferentes proporções e participam de processos relacionados ao crescimento, ao metabolismo e à formação de tecidos.
Por isso, as farinhas não devem ser avaliadas como produtos equivalentes. Cada uma possui características próprias e precisa ser combinada com outras matérias-primas para atender às exigências da espécie e da fase produtiva.
Qualidade determina resultado
O aproveitamento desses ingredientes depende da caracterização nutricional, da digestibilidade, da regularidade entre lotes e dos controles sanitários aplicados durante o processamento.
A formulação também deve considerar limites de inclusão, equilíbrio entre nutrientes e custo por unidade aproveitável, e não apenas o preço da matéria-prima. Para a ABRA, pesquisa e padronização serão necessárias para ampliar a eficiência e o valor agregado das farinhas e gorduras nas dietas futuras.
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