A intensificação das secas aumenta a pressão sobre as pastagens e exige novas estratégias dos pecuaristas brasileiros. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os períodos de estiagem tornaram-se mais frequentes e intensos no país desde a década de 1990, afetando recursos hídricos, vegetação e diferentes atividades econômicas.
O cenário ganha relevância em 2026, com o El Niño já estabelecido e previsão de continuidade nos próximos meses. Embora o fenômeno possa alterar os regimes de chuva e temperatura, seus efeitos não são uniformes e dependem das características de cada região.
Pastagens concentram impactos
Em 2024, incêndios registrados entre junho e agosto provocaram prejuízo estimado em R$ 14,7 bilhões em 2,8 milhões de hectares de propriedades rurais, conforme levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Desse total, R$ 8,1 bilhões corresponderam às perdas na pecuária e nas pastagens.
“Embora os incêndios sejam a face mais visível dos eventos extremos, os efeitos da seca começam antes e comprometem a base da produção”, afirma Bruno Nolasco, gerente de Negócio Agro da Belgo Arames. Segundo ele, a menor disponibilidade de chuva reduz a qualidade e a oferta de forragem.

Confinamento exige planejamento
Nesse contexto, o confinamento pode ajudar a manter uma dieta regular, acelerar a terminação dos bovinos e reduzir a dependência imediata das pastagens. A estratégia, porém, não elimina os riscos e depende da disponibilidade de volumosos, concentrados e água, além de planejamento financeiro, nutricional e sanitário.
A Embrapa recomenda que o produtor avalie antecipadamente os estoques de forragem e formule estratégias alimentares para evitar perda de peso e desnutrição durante a seca.
Estrutura interfere no resultado
Cercamentos, divisão de lotes, drenagem, cochos, bebedouros e áreas de sombra influenciam a segurança e o funcionamento do sistema. Pesquisas da Embrapa indicam que o sombreamento em confinamentos melhora o conforto térmico e pode reduzir o consumo de água pelos animais.
Assim, a infraestrutura deve ser tratada como parte do planejamento produtivo, e não como solução isolada. O retorno do confinamento dependerá da combinação entre manejo, custos, alimentação, bem-estar e capacidade de adaptação da propriedade.




