O lambari, tradicionalmente capturado em rios e utilizado como alimento ou isca viva, vem ganhando espaço na aquicultura comercial. O avanço foi apoiado pelo desenvolvimento de tecnologias voltadas à reprodução, à criação e ao processamento, etapas necessárias para tornar a produção mais previsível e economicamente viável.
O termo “lambari” abrange diferentes espécies de pequenos peixes de água doce. Entre as estudadas pelo Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, estão Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.
Protocolos tornam produção mais regular
Ao longo das últimas décadas, pesquisadores aperfeiçoaram protocolos de reprodução induzida, larvicultura e recria em diferentes sistemas. As técnicas permitem produzir alevinos com maior regularidade, aumentar a sobrevivência dos animais e melhorar os índices zootécnicos.
“A consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu o desenvolvimento de tecnologias específicas capazes de tornar sua produção previsível, eficiente e economicamente viável”, afirma Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca.

Os trabalhos também analisaram a criação de lambaris para o mercado de iscas vivas, o uso das espécies em sistemas de aquaponia e sua aplicação como organismos bioindicadores em pesquisas sobre contaminantes e qualidade dos ambientes aquáticos.
Equipamento reduz gargalo industrial
Apesar do valor gastronômico do lambari, o processamento representava uma limitação para a ampliação do consumo. Por se tratar de um peixe pequeno, a retirada manual das vísceras exige tempo e mão de obra, dificultando operações em maior escala.
Para enfrentar esse gargalo, Sussel propôs uma máquina destinada à evisceração dos peixes. Posteriormente desenvolvida por uma empresa catarinense especializada em equipamentos para frigoríficos de pescado, a solução automatiza uma das etapas mais trabalhosas do processamento.
Segundo o pesquisador, o equipamento pode elevar a produtividade, reduzir custos operacionais e agregar valor ao produto destinado ao consumo humano.
A combinação entre protocolos de cultivo e tecnologia industrial fortalece a cadeia do lambari e demonstra como a pesquisa pública pode transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis à produção aquícola.




