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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
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Terapias GLP-1 podem alterar consumo e abrir espaço para carne premium

Itaú BBA avalia que redução da ingestão calórica pode estimular dietas mais enxutas, com foco em qualidade nutricional e produtos de maior valor agregado

A expansão de tratamentos à base de incretinas, como semaglutida e tirzepatida, pode modificar o comportamento alimentar e criar novos desafios para o mercado de proteínas. Esses medicamentos reduzem o apetite e a ingestão de energia, mas seus efeitos sobre a composição da dieta ainda estão em investigação. Um estudo clínico com tirzepatida, por exemplo, registrou redução do consumo calórico e da sensação de fome entre os participantes.

Impactos ainda são incertos

Para a carne bovina, os possíveis efeitos são ambíguos. A diminuição do volume total de alimentos consumidos pode pressionar a demanda, enquanto a busca por refeições menores e nutricionalmente mais densas pode favorecer proteínas e cortes de maior valor agregado.

Essa é a avaliação apresentada pela Consultoria Agro do Itaú BBA no relatório Visão Agro. O banco ressalta que o avanço dessas terapias pode representar menos uma redução generalizada do consumo e mais uma mudança na escolha dos alimentos.

Cortes bovinos premium e terapias GLP-1 ilustram possíveis mudanças no perfil de consumo, com maior atenção à qualidade nutricional e a porções menores. Crédito: Imagem Gerada por IA

“Esse cenário pode favorecer cortes premium, produtos de maior valor agregado e estratégias de segmentação da indústria”, afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Mercado deve acompanhar hábitos

A possível valorização da carne premium, entretanto, deve ser tratada como cenário, e não como tendência consolidada. Uma revisão de estudos científicos concluiu que ainda são limitadas as evidências sobre os padrões nutricionais adotados por usuários de semaglutida e tirzepatida, apesar da redução observada na ingestão energética.

Para frigoríficos e varejistas, o movimento pode ampliar a importância de porções menores, padronização dos cortes, conveniência, qualidade e comunicação nutricional. O desempenho dependerá também da renda dos consumidores, dos preços e da expansão efetiva desses tratamentos.

Do lado da oferta, o Itaú BBA avalia que ajustes nas exportações e no ciclo pecuário poderão influenciar a disponibilidade da proteína nos próximos anos. A combinação entre produção e novos hábitos alimentares será decisiva para definir o impacto real sobre o mercado.

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