A indústria brasileira de alimentação animal deve produzir 97 milhões de toneladas de rações e suplementos em 2026, ante cerca de 94 milhões em 2025. A expansão das cadeias de proteína animal aumenta a necessidade de fábricas capazes de operar com maior precisão, controle de custos e rastreabilidade dos lotes.
Processos passam a operar conectados
Nesse cenário, empresas começam a conectar etapas antes administradas de maneira isolada, como recebimento e armazenagem de matérias-primas, dosagem, moagem, mistura e expedição.
A integração permite concentrar informações operacionais, acompanhar desvios e reduzir o tempo de resposta diante de falhas. O objetivo é diminuir desperdícios, evitar gargalos e elevar a regularidade das formulações produzidas.
Alimentação concentra custos
A pressão por eficiência é especialmente relevante porque a alimentação representa a maior parcela dos custos na avicultura e na suinocultura. Em fevereiro de 2026, por exemplo, a ração respondeu por 71,92% do custo de produção de suínos em Santa Catarina, conforme a Embrapa Suínos e Aves.

Para Franklin Oliveira, gerente nacional de Indústrias e Portos da AGI Brasil, a automação deixou de funcionar apenas como recurso complementar. “Não se trata apenas de erguer uma estrutura, mas de projetar um fluxo inteligente que elimine gargalos logísticos e falhas de dosagem”, afirma.
Dados apoiam rastreabilidade
Segundo o executivo, a conexão entre equipamentos e sistemas amplia a capacidade de acompanhar cada lote e identificar alterações nos parâmetros de produção. O controle pode apoiar a prevenção de contaminações cruzadas, a padronização das formulações e a comprovação dos registros solicitados por clientes e mercados compradores.
A modernização, entretanto, não garante retorno automaticamente. A decisão precisa considerar escala, custo de implantação, manutenção, capacitação das equipes e compatibilidade entre equipamentos e softwares. Sistemas conectados também exigem políticas de segurança da informação para proteger dados industriais e evitar interrupções.
Com a produção nacional em expansão, automação e integração de dados tendem a ganhar espaço nos investimentos. O desafio será transformar tecnologia em redução efetiva de perdas e menor custo por tonelada produzida.




