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Embrapa reúne medidas para reduzir impactos do El Niño no Sul

Nota técnica de sete unidades orienta produtores sobre excesso de chuvas, doenças, manejo do solo, seguro rural e planejamento das atividades

Sete unidades da Embrapa divulgaram, em julho, uma nota técnica com recomendações para reduzir os riscos do El Niño sobre a agropecuária do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O documento foi elaborado para apoiar produtores e técnicos no planejamento de diferentes cadeias diante da possibilidade de chuvas intensas, temperaturas elevadas e aumento da pressão de doenças.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o El Niño está ativo e deve ganhar força até o fim de 2026. O órgão estima em 97% a probabilidade de permanência do fenômeno até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

Planejamento orienta prevenção

Entre as recomendações gerais estão o acompanhamento de previsões oficiais, o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a revisão dos investimentos e a contratação de seguro rural. O Zarc indica períodos de plantio com menor probabilidade de perdas provocadas por condições meteorológicas adversas.

“Hoje sabemos muito mais sobre o El Niño do que sabíamos na década de 1980. O desafio não é prever o fenômeno, mas transformar esse conhecimento em decisões no campo”, afirma Gilberto Cunha, agrometeorologista da Embrapa Trigo.

Produtor acompanha as condições da lavoura após chuvas intensas, enquanto o monitoramento meteorológico ajuda a orientar medidas de prevenção e manejo no campo. Crédito: Imagem gerada por IA.

Para trigo, cevada e aveia, a nota prioriza a prevenção de doenças, o manejo da adubação e o planejamento da colheita. Nas lavouras de soja, milho e arroz irrigado, as orientações incluem melhorar a drenagem, proteger o solo contra erosão e intensificar o monitoramento fitossanitário.

Cadeias exigem estratégias próprias

Na fruticultura, o excesso de água pode comprometer raízes, pomares e estruturas, além de elevar os riscos associados a granizo, ventos e erosão. O documento também apresenta medidas específicas para horticultura, silvicultura, pastagens e plantas de cobertura.

A Embrapa recomenda ainda ações em microbacias, conservação do solo e adoção de sistemas mais resilientes, como os agroflorestais e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. A avaliação é que o El Niño altera o padrão de risco, mas seus efeitos podem ser reduzidos com informação, monitoramento e decisões antecipadas.

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