A produção brasileira de proteína animal passa por uma nova etapa de adequação no uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho. Desde abril, a Portaria SDA/Mapa nº 1.617/2026 proíbe a fabricação e a importação de novos lotes de aditivos que contenham cinco princípios ativos classificados como importantes para a medicina humana ou veterinária.
Os estoques produzidos ou importados antes da publicação podem ser comercializados e utilizados até 23 de outubro. A regra atinge especificamente o uso como melhorador de desempenho e não significa o fim dos antimicrobianos destinados ao tratamento veterinário.
Nutrição ganha novas ferramentas
Com a mudança regulatória, estratégias envolvendo fitogênicos, ácidos orgânicos, probióticos, prebióticos e enzimas ganham atenção na produção de aves e suínos. O objetivo é auxiliar no equilíbrio intestinal, aproveitamento dos nutrientes e desempenho dos animais sem depender dos princípios ativos agora restringidos.
Estudos científicos indicam que aditivos fitogênicos podem atuar sobre digestão, microbiota e respostas fisiológicas, embora os resultados variem conforme composição, dosagem, espécie e condições de produção.

Os ácidos orgânicos também são estudados por seus efeitos sobre o ambiente gastrointestinal, digestibilidade e microbiota. A literatura, porém, mostra que a resposta produtiva depende do tipo de ácido, concentração, forma de administração e condições sanitárias do plantel.
Combinação depende de cada sistema
Para Bruno Faria, gerente de Desenvolvimento de Negócios da ADM e doutor em Zootecnia, a retirada dos melhoradores de desempenho exige uma avaliação mais individualizada das granjas.
“Não existe uma solução única para todos os cenários. É necessário entender o desafio de cada sistema produtivo e combinar tecnologias capazes de atuar sobre diferentes mecanismos”, afirma.
A transição tende, portanto, a ampliar a importância da nutrição de precisão e do manejo sanitário. Em vez da substituição direta de um aditivo por outro, pesquisadores têm avaliado combinações de diferentes estratégias para preservar saúde intestinal e eficiência produtiva. Revisões recentes apontam potencial de fitogênicos, enzimas, probióticos e ácidos orgânicos, mas reforçam que os efeitos não são uniformes entre sistemas.



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