A China intensificou sua estratégia de segurança alimentar para o período de 2026 a 2030, com medidas destinadas a ampliar a produção doméstica, elevar a produtividade agrícola e reduzir vulnerabilidades relacionadas às importações. O movimento merece atenção do Brasil pela relevância do mercado chinês para produtos como soja e carne bovina.
O plano chinês para modernização da agricultura estabelece como meta elevar a capacidade anual de produção de grãos para aproximadamente 725 milhões de toneladas até 2030. A estratégia também prevê maior participação da ciência e da tecnologia na atividade rural e reforço da capacidade doméstica de abastecimento.
Soja permanece estratégica para o Brasil
Apesar da busca chinesa por maior autossuficiência, a dependência de soja importada continua elevada. Em 2025, o país asiático adquiriu volume recorde de 111,8 milhões de toneladas da oleaginosa.
Para reduzir essa exposição, Pequim vem estimulando alternativas ao farelo de soja na alimentação animal e tecnologias que aumentem a eficiência das rações.

O Brasil, entretanto, permanece como fornecedor central. Entre janeiro e julho de 2026, a China respondeu por 69,6% das exportações brasileiras de soja em grãos, com compras de 57,7 milhões de toneladas e US$ 24,4 bilhões.
Carne bovina já sente nova política
Na pecuária, a mudança é mais imediata. Desde janeiro, a China aplica salvaguardas às importações de carne bovina. Para o Brasil, a cota de 2026 foi definida em 1,106 milhão de toneladas; volumes excedentes ficam sujeitos a sobretaxa adicional de 55%.
Em julho, 80% do limite brasileiro já havia sido utilizado. Mesmo com a restrição, a China continua sendo o principal destino da carne bovina nacional: entre janeiro e julho, as compras chegaram a US$ 5,3 bilhões.
O cenário reforça a necessidade de acompanhar a política agrícola chinesa e ampliar mercados para reduzir a exposição brasileira a mudanças nas condições de acesso ao seu maior parceiro comercial do agronegócio.



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