Os mercados de milho e soja apresentaram movimentos distintos nos últimos dias, segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No milho, a menor presença compradora pressionou as cotações em São Paulo, enquanto, na soja, a valorização do farelo ampliou a participação do derivado na margem de processamento das indústrias.
Milho tem negócios limitados em São Paulo
No mercado paulista, compradores têm priorizado o consumo dos estoques disponíveis, reduzindo a necessidade de novas aquisições no mercado spot. Ao mesmo tempo, produtores também restringiram a oferta de parte dos lotes, diante da atenção aos trabalhos de campo e às condições climáticas para as lavouras.
O Indicador do Milho ESALQ/B3 encerrou a sexta-feira (18) em R$ 69,29 por saca de 60 quilos, com leve alta diária de 0,06%, mas queda acumulada de 1,34% em setembro.

Entre os dias 14 e 18, o indicador passou de R$ 69,51 para R$ 69,29 por saca. Apesar da demanda enfraquecida em São Paulo, algumas regiões produtoras registraram valorização, refletindo condições locais de oferta e procura.
Segundo o Cepea, parte dos vendedores permanece cautelosa diante das previsões meteorológicas e da possibilidade de impactos sobre a produtividade das lavouras, fator que limita uma pressão baixista mais intensa.
Farelo amplia peso na margem da soja
Na soja, o farelo permanece valorizado no Brasil e nos Estados Unidos, impulsionado pela demanda global. Esse movimento elevou a participação do derivado na chamada “crush margin”, que representa a relação entre o valor obtido com farelo e óleo e o custo da soja utilizada no processamento.

No Brasil, considerando os preços negociados no estado de São Paulo, a participação do farelo na margem de processamento atingiu o maior nível desde outubro de 2024.
Outro fator citado pelo Cepea foi a disponibilização, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de estruturas para armazenagem de farelo de soja entre julho e agosto, o que pode ter reduzido a necessidade de venda imediata por parte das indústrias.

No mercado do grão, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná fechou o dia 18 em R$ 155,18 por saca, alta de 2,56% no mês. Em Paranaguá (PR), a referência terminou em R$ 161,89 por saca, avanço mensal de 1,54%.



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