A combinação entre adaptação ao ambiente tropical e desempenho produtivo orienta o programa de cruzamento industrial desenvolvido pela SAEXI Agropecuária em Minas Gerais. Desde 1998, a propriedade trabalha com genética Simbrasil em um sistema que envolve mais de cinco mil matrizes zebuínas e busca aproveitar a heterose sem alterar de forma significativa o manejo a campo.
A estratégia ganha relevância diante de altas temperaturas e períodos prolongados de seca enfrentados em parte das áreas de produção no Norte de Minas. Estudos da Embrapa apontam o cruzamento entre raças taurinas e zebuínas como ferramenta para explorar heterose e complementaridade genética em sistemas de produção de bovinos de corte.
Composição reúne Simental e Zebu
O Simbrasil é uma raça sintética formada por 5/8 Simental e 3/8 Zebu. A composição foi desenvolvida no Brasil para reunir características das duas bases genéticas, e a raça recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura em 2001.
Na SAEXI, o programa reprodutivo combina inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e monta natural. Parte das inseminações utiliza genética zebuína para reposição das fêmeas, enquanto outras incorporam Simental e Simbrasil. Posteriormente, os lotes recebem repasse com touros Simbrasil.

Segundo dados fornecidos pela propriedade, o sistema produz cerca de dois mil bezerros por ano, com peso médio de 240 quilos. Esses números são resultados internos da fazenda e não representam, por si só, desempenho médio da raça em outros sistemas.
Seleção prioriza eficiência
O programa de seleção informado pela SAEXI reúne aproximadamente 500 animais Simbrasil e 300 Simental. Os critérios incluem fertilidade, precocidade, ganho de peso, habilidade materna, características de carcaça, eficiência alimentar e adaptação.
A propriedade também utiliza avaliações genéticas, genômica e fertilização in vitro. Segundo Bernardo de Vasconcellos, responsável pela SAEXI, o objetivo é selecionar animais capazes de manter desempenho produtivo nas condições tropicais encontradas nas fazendas.
A Embrapa ressalta que genética, manejo e tecnologias adaptadas às condições tropicais precisam atuar de forma conjunta para ampliar a eficiência e a resiliência dos sistemas pecuários.



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