Os preços do milho e da soja seguem em alta no mercado brasileiro em agosto, apesar das perspectivas de oferta elevada para os dois produtos. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgado nesta segunda-feira (17), fatores como comportamento dos vendedores, demanda, exportações, câmbio e incertezas climáticas sustentam as cotações.
No milho, a valorização ocorre mesmo diante da expectativa de produção recorde na safra 2025/26. A Conab estima colheita de aproximadamente 143 milhões de toneladas, com cerca de 111 milhões provenientes da segunda safra.
Produtores limitam oferta de milho
Segundo o Cepea, produtores permanecem retraídos nas negociações no mercado spot, restringindo a disponibilidade imediata do cereal. Compradores seguem ativos na recomposição de estoques, mas oferecem valores abaixo dos pedidos pelos vendedores.

O atraso da colheita em algumas regiões e a paridade de exportação também dão suporte às cotações. Outro fator acompanhado pelo mercado é o clima para os próximos meses, diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre as próximas safras. Com o avanço da colheita, compradores esperam que produtores aumentem a disponibilidade do cereal e ampliem as negociações.
Disputa por soja sustenta preços
No complexo soja, a valorização é impulsionada pela maior disputa entre consumidores brasileiros e compradores internacionais. A alta do dólar frente ao real também favorece a competitividade do produto nacional no mercado externo.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam produção mundial de 429,46 milhões de toneladas de soja na temporada 2025/26. O esmagamento é estimado em 373,92 milhões de toneladas e os estoques finais, em 125,12 milhões.

A relação entre estoque final e esmagamento fica próxima de 33,5%, indicando que o crescimento da oferta vem acompanhado pela expansão do processamento.
Para 2026/27, o USDA projeta produção mundial de 442,25 milhões de toneladas e esmagamento de 384,76 milhões. Os estoques finais são estimados em 124,21 milhões de toneladas, levando a relação estoque/esmagamento para aproximadamente 32,3%.

Na avaliação do Cepea, a combinação de demanda doméstica, exportações e câmbio segue oferecendo suporte às cotações da soja, enquanto o mercado de milho permanece atento à liberação da oferta e às condições climáticas.



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