O consumo doméstico de carne bovina no Brasil deve recuar 10,6% em 2027, segundo projeção apresentada pela Datagro Pecuária durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, realizado na quarta-feira (16), em São Paulo (SP). A estimativa aponta queda de 6,603 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) em 2026 para 5,905 milhões de TEC no próximo ano.
As projeções foram apresentadas por João Otávio de Assis Figueiredo, líder da Área de Pecuária da Datagro, e Guilherme Jank, analista sênior da consultoria. Segundo a análise, a demanda interna foi sustentada em 2026 pelo nível de renda e pelo mercado de trabalho, mas deve enfrentar um ambiente econômico mais restritivo no próximo ano.
A mediana do Boletim Focus divulgado em 14 de setembro prevê crescimento de 1,45% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2027, abaixo dos 1,89% projetados para 2026.

Produção também deve recuar
Além do consumo, a Datagro prevê redução da oferta. O abate total pode passar de 44,7 milhões de bovinos em 2026 para 41,2 milhões em 2027, queda de 7,9%. Entre os animais inspecionados, o recuo estimado é de 8,8%, para 37,1 milhões de cabeças.
O movimento está relacionado à retenção de fêmeas para recomposição do rebanho. Com isso, a produção formal de carne bovina deve cair 5,9%, de 10,744 milhões para 10,108 milhões de TEC. O aumento projetado do peso médio das carcaças, de 263,9 para 272,3 quilos, deve amenizar parte da redução do número de animais abatidos.
Exportações ganham participação
Na direção oposta, as exportações devem crescer 1,7%, passando de 4,176 milhões para 4,248 milhões de TEC. Dessa forma, a parcela da produção destinada ao exterior deve avançar de 38,6% em 2026 para 41,6% em 2027.
“Hoje, no mundo, a gente tem uma condição que tende a pagar melhor pela nossa carne lá fora do que aqui dentro”, afirmou Figueiredo durante o evento.



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