As exportações brasileiras de carne bovina por contêiner destinadas à China recuaram 81,4% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo levantamento da Datamar. Apesar da forte queda mensal, no acumulado de janeiro a julho a retração foi de 3,7%.
Considerando todos os destinos, os embarques conteinerizados de carne bovina passaram de 20.012 TEUs em julho de 2025 para 12.268 TEUs no mesmo mês deste ano, queda de 38,7%.
Cota chinesa pressiona planejamento dos embarques
Segundo a Datamar, o recuo para a China pode estar relacionado à proximidade do limite anual estabelecido pelo país asiático para a carne bovina brasileira.
A cota para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse volume, a tarifa de importação é de 12%. A partir do terceiro dia após o preenchimento integral da cota, o volume excedente fica sujeito a uma tarifa adicional de 55%, elevando a alíquota total para 67%.

Em 21 de julho, as importações chinesas originárias do Brasil haviam atingido 80% do limite, segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM). Em 10 de agosto, o percentual já havia chegado a 90%.
“Esse risco pode ter estimulado uma redução antecipada dos embarques, evitando que cargas enviadas antes do esgotamento da cota chegassem ao país depois do preenchimento do limite”, afirma Andrew Lorimer, CEO da Datamar.
Entrada na China define aplicação da tarifa
A medida considera o momento da entrada da mercadoria na China, e não a data de embarque no Brasil. Por isso, o tempo de trânsito marítimo entra no planejamento dos frigoríficos e exportadores.
A salvaguarda chinesa permanecerá vigente até o fim de 2028. Para o Brasil, a cota deverá subir para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão em 2028.
No primeiro semestre de 2026, considerando todos os destinos, as exportações conteinerizadas de carne bovina ainda acumulavam avanço de 1,3%, segundo a Datamar. A queda de julho mostra uma mudança no comportamento dos embarques no início da segunda metade do ano.



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