A ampliação das garantias de sanidade animal e a construção de mecanismos para aumentar a competitividade estão entre os principais desafios para que a cadeia de lácteos do Sul do Brasil avance no mercado internacional. O tema foi discutido na terça-feira (1º), durante reunião da Aliança Láctea Sul-Brasileira (ALSB), realizada na Expointer, em Esteio (RS).
Para o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, é necessário acelerar, junto ao governo federal, os processos de reconhecimento sanitário que permitam aos estados produtores ampliar o acesso a mercados externos.
Segundo ele, uma alternativa é trabalhar com liberações regionalizadas, estratégia que poderia permitir o início das exportações enquanto os processos nacionais avançam. A expectativa é aproveitar oportunidades em mercados com forte demanda por alimentos, especialmente na Ásia. “Precisamos avançar junto ao governo federal no sentido de agilizar a liberação, mesmo que seja de forma regionalizada, para conseguir embarcar nossos produtos para fora, buscando nichos de mercado que estão se abrindo na Ásia, por exemplo, e que estão sedentos por comida e que agregam grandes populações”, afirmou Palharini.

Cadeia integrada e competitividade
O 1º vice-presidente da Aliança Láctea, Alexandre Guerra, destacou que o fortalecimento do setor depende da construção de soluções que contemplem os diferentes elos da cadeia produtiva.
“São caminhos que a gente vai debatendo e temos visto que estamos avançando. Temos que trabalhar pensando no conjunto, desde os pequenos, médios e grandes, da indústria e do campo, porque sempre repetimos que precisamos estar todos fortes e unidos. Somos interdependentes e todos são importantes”, afirmou.
Guerra também apontou o crescimento de segmentos como o de queijos e defendeu a ampliação das ações de estímulo ao consumo de produtos lácteos. Na avaliação do dirigente, o desenvolvimento do mercado interno é parte importante da estratégia de fortalecimento da cadeia.
Outro ponto abordado foi a logística. Guerra chamou atenção para os efeitos de novas tarifas sobre a distribuição da produção, especialmente os custos para levar produtos da Região Sul a outras partes do país. Para o setor, a manutenção de condições competitivas de transporte é fundamental para evitar perda de competitividade da indústria regional.
Salvaguardas e acordo Mercosul-União Europeia
As discussões também envolveram o cenário comercial e a necessidade de mecanismos de proteção para a cadeia láctea diante das negociações internacionais. Entre as preocupações está o acordo entre Mercosul e União Europeia e seus possíveis impactos sobre setores produtivos brasileiros.
Palharini defendeu a construção de salvaguardas para garantir condições de competitividade aos produtos nacionais. Segundo ele, o setor lácteo está inserido em uma discussão mais ampla, que também envolve segmentos como vinhos e azeite de oliva. “Precisamos buscar mecanismos e instrumentos que contribuam para a proteção e a sustentabilidade da cadeia”, disse.
O dirigente citou ainda a necessidade de desenvolver novas ferramentas de comercialização. Entre as alternativas em discussão está a criação de mecanismos de comercialização futura para produtos lácteos, tema que, segundo Palharini, deverá ganhar espaço nas próximas reuniões da entidade.
Aliança Láctea completa 12 anos
A reunião realizada durante a Expointer também marcou os 12 anos de criação da Aliança Láctea Sul-Brasileira. A entidade foi fundada durante a própria feira, reunindo lideranças do setor para discutir estratégias conjuntas para o desenvolvimento da cadeia.
A ALSB funciona como um fórum público-privado que reúne representantes e entidades ligadas à produção e à indústria de lácteos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Ao completar 12 anos, a entidade mantém como uma de suas principais agendas a articulação entre os diferentes elos da cadeia e a construção de estratégias para ampliar a competitividade dos estados produtores, tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.



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