O Simpósio Feed&Food de Sustentabilidade reuniu lideranças da proteína animal na quarta-feira (5), durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). A programação discutiu a intensificação sustentável produzir mais com melhor aproveitamento de terra, água, energia e insumos e entregou o Troféu Curuca a Adisseo, Huvepharma e Vidara.
O Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, esteve presente e destacou a força do Brasil em se consolidar na produção de proteína animal de forma sustentável. “A sustentabilidade já está no ‘DNA’ dos nossos produtores. Fazemos muito através de uma alta tecnologia em diferentes pilares da sustentabilidade, social, econômico e ambiental”, pontuou.
O ex-Secretário do Ministério da Agricultura, Luis Rua também participou do evento e destacou o nível das exigências sob o mercado brasileiro de produção de proteína animal. “Ao sermos líderes e referência passamos a ser muito mais cobrados. Estamos em um mundo muito mais imprevisível sob o aspecto geopolítico e temos que lidar com tensões comerciais e logísticas que influenciam a exigência acerca da sustentabilidade”, afirmou. “Temos que discutir questões e entraves cada vez mais técnicas e argumentar ‘fake news’ para equilibrar esse jogo”, disse Rua. “Não há país no mundo que tenha as nossas condições de trabalho sob os aspectos de qualidade, quantidade, sanidade, regularidade, competitividade e complementariedade”, explicou.
Há treze anos, o Simpósio Feed&Food de Sustentabilidade consolidou-se como uma das mais importantes homenagens voltadas ao sistema de produção de proteína animal, ao reconhecer pessoas, empresas e instituições que contribuem para o desenvolvimento do setor. Mais do que uma premiação, a iniciativa destaca projetos e ações que impulsionam a inovação, a eficiência produtiva e a competitividade de uma cadeia estratégica para a segurança alimentar e para a economia brasileira.
O Presidente da Associação Brasileira de Bem-estar Animal, Thomas Tim, afirmou que a Associação promove a melhoria dos cuidados de animais de produção e pets. “Desenvolvemos o sistema de certificação, para promover a confiança ao consumidor”, disse. “Nossas oportunidades de transformação geram resultados e precisam ser destacadas”, afirmou.
O Diretor do FDC Agroambiental, Marcelo Brito fez uma análise durante o evento. O Brasil é uma potência agroambiental ou é só um país com um potencial gigantesco, que ainda não virou poder? “O país tem potencial. Isso ninguém discute. A pergunta é se estamos convertendo isso em poder econômico e influência internacional. E, para quem está no dia a dia do agronegócio, essa não é uma discussão acadêmica. Esta é uma discussão sobre margem, acesso a mercados e sobre em que negócio vale a pena investir nos próximos dez anos”, afirmou. “O problema brasileiro não é falta de recurso. Nunca foi. É falta de estratégia para coordenar os recursos que tempos. E essa conta está chegando”, alertou.
Adisseo, Huvepharma e Vidara recebem “Troféu Curuca”
ADISSEO: o SustainWay, promovido pela Assisseo, leva dados ambientais à tomada de decisão na produção animal. O case inscrito no Troféu Curuca combina avaliação de ciclo de vida, capacitação e análise de formulações para conectar sustentabilidade, desempenho e custo.
A iniciativa foi estruturada para apoiar empresas que já possuem metas ambientais, mas ainda precisam de dados, metodologia e ferramentas capazes de relacionar sustentabilidade com nutrição, eficiência produtiva e viabilidade econômica.
Segundo Guilherme Vasconcellos, gerente de Categoria Feed Digestibility da Adisseo Latam, a agenda está ligada à necessidade de ampliar a produção de proteína animal com melhor uso dos recursos naturais. “O mundo vai precisar produzir cada vez mais proteína animal para uma população que cresce a cada segundo. É preciso produzir com melhor uso de recursos naturais, menor impacto ambiental e sistemas mais preparados para os desafios climáticos”, afirma.
Essa visão passou a orientar investimentos industriais, inovação, desenvolvimento de produtos e o relacionamento com clientes. Para Vasconcellos, o SustainWay representa a aplicação prática desse conhecimento. “Não é um projeto feito para ficar bonito no papel. É um serviço que ajuda o cliente a medir, comparar e tomar decisões melhores de forma prática”, destacou.
O SustainWay foi dividido em quatro etapas. A primeira oferece acesso às Avaliações de Ciclo de Vida (ACV) dos produtos da Adisseo, permitindo comparar soluções com base científica e acompanhar sua pegada ambiental. A segunda reúne treinamentos personalizados sobre sustentabilidade, critérios ambientais, sociais e de governança e metodologia de ACV.

Na terceira etapa, o trabalho chega à formulação das dietas. De acordo com Vasconcellos, entre 60% e 80% do impacto ambiental da produção de animais monogástricos está relacionado à nutrição. Por meio da ferramenta ADICT, podem ser comparados cenários que consideram a origem das matérias-primas, o uso de aditivos, a eficiência zootécnica, o consumo de água, a acidificação e a eutrofização. “Hoje, nossa base considera mais de 1.500 ingredientes e origens, o que permite ao nutricionista formular olhando para desempenho, custo e impacto ambiental ao mesmo tempo. Com o ADICT, estas informações são conectadas diretamente com o programa de formulação do nutricionista, sem a necessidade de usar plataformas externas”, explicou.
A quarta etapa consiste no desenvolvimento, em conjunto com o cliente, de uma Avaliação de Ciclo de Vida da própria ração ou do sistema de produção animal. O estudo utiliza dados reais e metodologia verificada para identificar os pontos de maior impacto e orientar estratégias, relatórios e planos de melhoria. “O cliente deixa de trabalhar com percepções e passa a ter informação técnica para orientar sua estratégia, seus relatórios e suas decisões”, ressaltou.
VIDARA: a empresa está apostando em gestão hídrica para fortalecer sustentabilidade na operação e o case inscrito no Troféu Curuca mostra como estação de tratamento de água, reaproveitamento de efluentes, energia solar e indicadores ESG passaram a integrar a estratégia da empresa para reduzir impactos e ampliar eficiência.
O case foi desenvolvido a partir de uma reflexão estratégica sobre como expandir reduzindo impactos. A gestão hídrica foi identificada como uma oportunidade relevante para tornar a operação mais eficiente e responsável. A partir disso, a empresa estruturou a implantação da estação de tratamento de água com foco no uso consciente e eficiente dos recursos. A iniciativa surgiu de uma reflexão estratégica sobre como expandir reduzindo impactos, identificando na gestão hídrica uma oportunidade relevante. Assim, a empresa estruturou o projeto de implantação da estação de tratamento de água com foco no uso consciente e eficiente.
Segundo Marina Bonatelli de Lima, gerente de Assuntos Regulatórios e Qualidade da Vidara, o investimento reflete a forma como a empresa entende a sustentabilidade dentro do negócio. “Na Vidara, a sustentabilidade é um pilar estratégico do negócio, alinhado aos valores do Grupo Ravago. Mais do que uma tendência, entendemos que a gestão responsável dos recursos naturais é essencial para garantir a continuidade das operações, a competitividade e a geração de valor no longo prazo”, afirmou.
Para Marina, a estação de tratamento de água materializa esse compromisso na prática. “A implantação da estação de tratamento de água, realizada em 2026, foi a ação que mais gerou orgulho. O projeto materializa nosso compromisso com a sustentabilidade, garantindo o tratamento adequado de efluentes e promovendo o reaproveitamento da água, com redução significativa do impacto ambiental”, destacou.
HUVEPHARMA: a principal meta ambiental da empresa é atingir a neutralidade de carbono nos Escopos 1 e 2 até 2030. Segundo Marcos Branco, Diretor da Huvepharma Brasil, a motivação da empresa está fundamentada em um compromisso de longa data com o fornecimento de alimentos seguros e de alta qualidade para a população atual e para aquelas que virão no futuro. “Acreditamos que alimentos seguros e nutritivos, aliados a um ambiente saudável, são pilares essenciais para esse futuro”, explica. “Para nós, sustentabilidade não se resume a iniciativas pontuais, mas sim a um compromisso contínuo de longo prazo. Como empresa, temos orgulho de nosso histórico de engajamento com as comunidades”, pontua.
Destaque Troféu Curuca: animais monogástricos não conseguem digerir fibras de forma eficiente, fazendo com que nutrientes valiosos fiquem retidos na matriz fibrosa. Esse efeito antinutricional ocorre em todos os tipos de formulações de dieta, inclusive nas dietas tradicionais à base de milho e farelo de soja.
Após anos de pesquisa sobre degradação de fibras em parceria com a Universidade de Wageningen, a empresa desenvolveu o Huvezym neXo, um complexo enzimático de nova geração composto por xilanase, glucanase e xiloglucanase.
A combinação dessas enzimas é capaz de quebrar estruturas fibrosas complexas, liberando energia do milho e melhorando o aproveitamento do nitrogênio proveniente do farelo de soja. Como resultado, os animais utilizam a proteína de forma mais eficiente e excretam menos nitrogênio no ambiente.
O Huvezym neXo também ajuda os produtores a extrair mais valor de coprodutos, como o DDGS. Ao melhorar a digestibilidade da proteína, permite níveis maiores de inclusão sem comprometer o desempenho dos animais.
Experiências na Europa já demonstraram que ingredientes alternativos ricos em fibras, como farelo de girassol e farelo de trigo, podem ser utilizados em níveis mais elevados graças à redução dos efeitos antinutricionais da fibra.
Ao melhorar a degradação das fibras, o Huvezym neXo favorece o uso mais eficiente das matérias-primas disponíveis, amplia a utilização de coprodutos, fortalece a economia circular na produção animal e contribui para uma pecuária mais sustentável.
O CEO da Feed & Food, Diogo Ciasulli, destacou durante o evento o profundo alinhamento da atual linha editorial da empresa com as questões que envolvem a sustentabilidade. “Esta análise está na geração da Feed & Food, criada pelo meu pai, Osvaldo Ciasulli. Eu cresci vendo o meu pai se preocupar e promover o debate sobre o tema e para nós, nada mais natural do que dar voz às empresas que promovem e valorizam a sustentabilidade, seja ambiental, social ou econômica”, afirmou. “Sustentabilidade, nesse contexto, vai muito além da preservação ambiental. Trata-se da integração equilibrada entre eficiência econômica, responsabilidade social e gestão ambiental. Um sistema produtivo só é verdadeiramente sustentável quando consegue produzir de forma rentável, respeitando recursos naturais e promovendo desenvolvimento nas comunidades onde está inserido”, finalizou.



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