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RS contará com nova plataforma de alertas meteorológicos para a pecuária 

Sistema cruza dados meteorológicos e geoespaciais para emitir alertas sobre sanidade, reprodução, nutrição, manejo, bem-estar e gestão de risco

A adaptação da agropecuária aos extremos climáticos pautou parte das discussões técnicas da XXI Jornada NESpro e II Congresso de Criadores. Como grande inovação, foi lançado o serviço de alertas climáticos direcionado para a pecuária, desenvolvido pela VortixGeo, uma empresa de inteligência climática e geoespacial, em parceria com o NESpro. 

A plataforma pode monitorar as variáveis climáticas e atuar em eixos com importância para a tomada de decisão dos produtores. Os índices utilizados para a construção da plataforma foram definidos pelos pesquisadores do NESpro. A ferramenta, que deverá entrar em caráter experimental no site do NESpro nos próximos dias, utilizará dados já existentes no Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades.

O CEO da VortixGeo, Renato Aboud, afirmou que entre as variáveis que podem ser utilizadas estão dados históricos da localização da propriedade com as projeções dos modelos meteorológicos. O modelo atuará em cinco eixos: bem-estar, sanidade, nutrição, reprodução, manejo e gestão de risco. Dentro de cada eixo, são monitorados indicadores como risco de infecção por carrapato, no caso de sanidade, que observa a temperatura ideal para a eclosão dos ovos, por exemplo, ou o momento ideal para cobertura, também observando características locais de cada propriedade. 

Futebol e Pecuária

No mesmo dia, em plena Copa do Mundo, Antonio Chaker, mestre em produção animal e consultor sênior, fez uma analogia entre o futebol e a pecuária. Segundo ele, “quando está tudo bem, o produtor precisa jogar na defesa, e quando chega a crise é hora de atacar”. Para Chaker, o desafio é compreender a mudança geracional e atuar com intenção para que cada um atue no que sua característica faça mais sentido.“Temos cinco gerações atuando dentro das propriedades, e é preciso modernizá-las para atrair e manter pessoal. Não falta equipe, falta filosofia”, pontua. E ao falar sobre os desafios da pecuária, Chaker disse que a melhor forma de lidar com o risco de preço é produzir boi barato. 

Renato Aboud apresenta a plataforma de alertas climáticos para a pecuária durante a XXI Jornada NESPro, mostrando como dados meteorológicos podem apoiar decisões nas propriedades rurais. Crédito: Divulgação

Já em sua apresentação, a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli falou sobre a estratégia organizacional coletiva para a pecuária bovina. Segundo ela, quando o consumidor vai ao supermercado ele só vê o produto, a carne. “Da mesma forma, quando ele vê uma notícia ruim sobre o setor, ele só vê a carne, porque não consegue enxergar os elos separados da cadeia. Por isso, precisamos agir coletivamente, para um resultado conjunto do setor.”

No painel sobre rastreabilidade, o tema da União Europeia entrou na pauta, na fala da pecuarista Fernanda Costabeber da Fazenda Pulquéria. Segundo ela, a possibilidade de retirada da monensina, um aditivo alimentar que é fornecido para animais que recebem suplementação, não compensaria pelo custo que agregaria na produção ao utilizar substitutos como óleos essenciais. Conforme a pecuarista, o volume para a Europa é pequeno, mas paga bem, entretanto, cada produtor teria que calcular até que ponto essa exportação valeria a pena. “O Uruguai segrega os animais que são exportados para a União Europeia e conversei com um confinador de lá que retira a monensina somente nos últimos 30 dias. Por que o Brasil tem que retirar o produto de todo o plantel?”, questiona.

 O secretário da Agricultura Márcio Madalena afirmou que o Rio Grande do Sul, que já tem um projeto piloto de rastreabilidade individual, será o primeiro estado brasileiro a rastrear a totalidade do rebanho. Madalena, que já atuou no Ministério da Agricultura e visitou todos os estados brasileiros, disse que o Rio Grande do Sul é o estado mais preparado em termos de Serviço Veterinário Oficial.

Antonio Mário Penz Júnior, diretor global de contas da Cargill Nutrição Animal falou sobre “Um mundo em transição e o protagonismo da produção de carne bovina pelo Brasil”. O especialista pontuou que o país está em uma posição “absolutamente privilegiada, com muitas oportunidades”. Penz Júnior pontuou a inversão da pirâmide alimentar norte-americana e os efeitos das canetas emagrecedoras no consumo de proteínas.

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