A carne bovina brasileira ganha uma nova possibilidade de acesso ao mercado dos Estados Unidos a partir desta terça-feira (1º). O governo norte-americano ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de importação de aparas magras de carne bovina sujeitas à tarifa reduzida, produto utilizado principalmente na fabricação de carne moída.
A medida será dividida em três lotes de 100 mil toneladas, disponibilizados entre setembro e novembro pelo sistema de ordem de chegada. O volume adicional será destinado à categoria “outros países ou áreas”, na qual o Brasil está enquadrado por não possuir uma cota própria de carne bovina nos Estados Unidos.
Brasil pode disputar volume adicional
A mudança é relevante porque a cota regular compartilhada por esse grupo em 2026, de aproximadamente 52 mil toneladas, já havia sido totalmente preenchida em 6 de janeiro. Fora da cota, a carne bovina normalmente está sujeita a tarifa de 26,4%, enquanto o acesso dentro do contingente ocorre com tributação reduzida.

Os Estados Unidos já são um dos principais destinos da proteína bovina brasileira. Entre janeiro e julho, o Brasil enviou 233,8 mil toneladas ao mercado norte-americano, alta de 17,1% sobre igual período de 2025. O país ficou atrás apenas da China entre os destinos da carne bovina brasileira.
Argentina enfrenta maior concorrência
A nova regra pode reduzir parte da vantagem tarifária da Argentina, que dispõe de uma cota preferencial própria de 100 mil toneladas em 2026 e já havia utilizado cerca de 61% desse volume até julho. Os embarques argentinos aos Estados Unidos triplicaram nos sete primeiros meses do ano e passaram a representar quase 20% das exportações de carne bovina do país.
A Argentina não participa do contingente adicional destinado a “outros países”, enquanto o Brasil pode competir pelo volume com os demais fornecedores elegíveis.
Oferta americana segue pressionada
Washington justificou a ampliação pela menor disponibilidade doméstica de gado e pelos preços elevados da carne bovina. A oferta adicional concentra-se em aparas magras, utilizadas em mistura com carne produzida nos Estados Unidos para fabricação de carne moída.



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