O tempo seco predominante em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste favoreceu a secagem natural dos grãos e o avanço da colheita do milho segunda safra durante agosto. O cenário consta no Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que avaliou as principais regiões produtoras entre os dias 1º e 24 do mês.
No Paraná, após o excesso de umidade limitar as operações entre o fim de julho e o início de agosto, a redução das chuvas permitiu que a colheita alcançasse 73% da área semeada. Em Mato Grosso, os trabalhos foram encerrados com alta produtividade, enquanto Mato Grosso do Sul recuperou parte do atraso e registrou resultados superiores às estimativas iniciais.
Segunda safra concentra 111 milhões de toneladas
Em levantamento divulgado anteriormente, em 13 de agosto, a Conab estimou a produção brasileira total de milho em 143 milhões de toneladas na safra 2025/26. Desse volume, cerca de 111 milhões correspondem à segunda safra, além de 29,5 milhões na primeira e 2,4 milhões na terceira.

A Companhia também projeta consumo interno de 95 milhões de toneladas no ciclo. O acompanhamento da oferta do cereal é especialmente relevante para as cadeias de aves e suínos, que utilizam o milho como um dos principais componentes das rações.
Seca muda destino de lavouras no Nordeste
Enquanto o Centro-Sul avança na colheita, a terceira safra enfrenta condições mais adversas. Em Sergipe, a restrição hídrica provocou perdas e levou produtores a destinarem parte das áreas para silagem. Em Alagoas, a irregularidade das chuvas também prejudicou as lavouras, com áreas direcionadas à silagem e ao pastejo bovino. No nordeste da Bahia, a estiagem reduziu o potencial produtivo.
Trigo enfrenta maior risco no Sul
Nas lavouras de trigo, o índice de vegetação superou o ciclo anterior e a média histórica na maior parte dos períodos desde julho, indicando melhora no desenvolvimento das plantas. O indicador, porém, não representa automaticamente maior produtividade.
No Paraná, a umidade favorece doenças como oídio e giberela. No Rio Grande do Sul, excesso de chuva, alta umidade e menor luminosidade ampliaram o risco fitossanitário. Em Mato Grosso do Sul, a brusone provocou perdas em áreas do Sul e da fronteira. A produção nacional de trigo está estimada em 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2%, principalmente pela redução da área cultivada.



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