As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, a retomada da autorização federal para importar tilápia do Vietnã e a retração das exportações brasileiras estarão no centro de um painel do IFC Brasil 2026. O debate será realizado em 2 de setembro, às 13h30, no Maestra Grand Convention Center, em Foz do Iguaçu (PR).
A discussão ocorre enquanto a piscicultura brasileira apresenta recuperação apenas parcial no mercado externo. Segundo a Embrapa Pesca e Aquicultura, as exportações somaram US$ 12,5 milhões e 2.316 toneladas no segundo trimestre de 2026, avanço de 15% sobre os três primeiros meses do ano.
Exportações recuam no semestre
No acumulado do primeiro semestre, porém, o faturamento caiu 34% e o volume recuou 42% na comparação com igual período de 2025. A tilápia respondeu por 95% da receita e 91% do volume exportado no segundo trimestre, reforçando a dependência do desempenho da espécie.

Importações ampliam disputa interna
Em sentido contrário, o Brasil importou do Vietnã aproximadamente 8 mil toneladas de tilápia, equivalentes a US$ 33 milhões, no primeiro semestre. Com esse resultado, a espécie ocupou a terceira posição entre os pescados mais importados pelo País, ampliando as discussões sobre custos, preços e condições de concorrência no mercado interno.
O Ministério da Agricultura e Pecuária revogou, em abril de 2025, a suspensão cautelar da importação de tilápia vietnamita adotada em fevereiro de 2024. A autorização reconhece o sistema de inspeção sanitária do país exportador, mas não elimina certificados específicos nem possíveis restrições relacionadas à saúde animal.
Tarifas entram no debate
A Embrapa relaciona parte da queda semestral das exportações às tarifas dos Estados Unidos, principal destino da piscicultura nacional. Mesmo após a redução da alíquota norte-americana de 50% para 10% em fevereiro de 2026, os embarques ainda não recuperaram o patamar registrado em 2025.
O painel reunirá Manoel Xavier Pedroza Filho, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura; Augusto Billi, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa; e Pedro Netto, gerente de Agronegócios da ApexBrasil. A programação deverá abordar tarifas, exigências sanitárias, concentração dos mercados compradores, agregação de valor e estratégias para ampliar a competitividade do pescado brasileiro.



Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.