O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deve alcançar R$ 3,13 trilhões em 2026, mas recuar 7,8% em termos reais ante 2025. A projeção para as cadeias do setor em todo o país foi divulgada na sexta-feira (28) pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), na 30ª edição do Radar Macroeconômico.
Elaborada pelo Departamento Econômico da entidade com dados do Cepea/Esalq-USP e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disponíveis até março, a estimativa indica que o setor responderá por 22,8% do PIB nacional. A diferença entre os ramos decorre, principalmente, da queda dos preços agrícolas e do melhor desempenho de segmentos ligados à pecuária. Se confirmada, a retração sucederá o crescimento de 12,2% apurado em 2025 por Cepea e CNA.
Agricultura pressiona resultado
O ramo agrícola poderá somar R$ 1,88 trilhão, com recuo real de 13,7%. Todos os elos analisados apresentam projeção negativa, e a maior queda, de 21%, está no segmento primário. Segundo o relatório, a redução dos preços dos produtos agrícolas diminui o valor gerado pela produção.
Expansão não alcança todos os elos pecuários
Na pecuária, a projeção é de alta real de 2,8%, para R$ 1,25 trilhão. Agroindústria e agrosserviços devem avançar 7,9% e 7,6%, respectivamente. Em contrapartida, insumos podem cair 10,6% e o segmento primário, 6,9%.
A bovinocultura de corte é a única atividade pecuária com aumento esperado no valor da produção, sustentado pelas exportações e pela demanda interna. O dado mostra que a expansão não alcança todos os elos do ramo.

Emprego e inflação
No mercado de trabalho, a taxa de desocupação caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho. O país tinha 103,1 milhões de ocupados, dos quais 7,9 milhões atuavam na agropecuária. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.738, alta de 2,8% em um ano, segundo o IBGE.
Em julho, o IPCA subiu 0,07% e acumulou 4,44% em 12 meses, dentro do intervalo de tolerância da meta. Alimentação e bebidas recuou 0,67%, enquanto a alimentação no domicílio caiu 1,14%.
Juros e contas públicas
Em agosto, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. O Banco Central, porém, manteve a avaliação de elevada incerteza e riscos de alta para a inflação.
Em junho, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões e déficit nominal de R$ 166 bilhões. A dívida bruta do governo geral atingiu 81,9% do PIB.
No setor externo, o déficit em transações correntes diminuiu de US$ 5,2 bilhões, em junho de 2025, para US$ 2,3 bilhões, favorecido pelo superávit comercial de US$ 8,8 bilhões.



Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.