Os preços do milho e da soja avançaram no mercado brasileiro na reta final de agosto, apesar das estimativas de produção elevada. Em 28 de agosto, o Indicador do Milho ESALQ/BM&FBovespa, referente a Campinas (SP), encerrou a R$ 69,51 por saca de 60 quilos, com valorização mensal de 6,53%, segundo dados do Cepea.
Na soja, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná chegou a R$ 151,32 por saca, acumulando alta de 10,24% no mês. No Porto de Paranaguá (PR), a referência fechou a R$ 159,76, avanço mensal de 10,25%. Os resultados foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada em 31 de agosto.

Disponibilidade imediata recua
Mesmo com a colheita da segunda safra em fase final, produtores de milho limitaram a oferta no mercado disponível, à espera de preços mais atrativos. Compradores, por sua vez, alternaram aquisições pontuais para entrega imediata com o consumo de estoques, mantendo a liquidez reduzida.
A Conab estima produção total de milho de 142,96 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 1,3% sobre o ciclo anterior. A segunda safra deve alcançar 111,03 milhões de toneladas, queda de 1,9%. Assim, o avanço das cotações está relacionado principalmente à menor disponibilidade de lotes no curto prazo, e não à ausência de produto no campo.

Demanda impulsiona a soja
Na soja, a demanda global firme, as condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte e a retração de vendedores brasileiros reforçaram o movimento de alta. No mercado spot, parte dos negócios passou a envolver prazos de pagamento mais longos, mas com valores maiores.
Os prêmios de exportação permaneceram sustentados e elevaram os preços FOB nos portos brasileiros aos maiores patamares nominais em três anos, conforme o Cepea. A NOAA informou em agosto que o El Niño está se fortalecendo e tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul. A projeção amplia as incertezas sobre a safra 2026/27.

Custos entram no radar
Para as cadeias de proteína animal, a valorização simultânea do milho e da soja pode pressionar os custos de alimentação, já que os dois grãos são componentes centrais das rações. O impacto dependerá dos estoques, dos contratos antecipados, dos fretes e da duração do movimento de alta.




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