Teve início nesta quarta-feira (16) em Goiânia (GO) o Feedlot Summit Brazil 2026. O evento é uma reunião anual de produtores de gado de corte promovido pela Coan Consultoria. Reposição valorizada, oscilações no mercado da carne, incertezas regulatórias e custos de produção em alta colocam a gestão no centro das decisões da pecuária intensiva.
É nesse contexto que o Feedlot Summit Brazil 2026 reúne em três dias especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina e África do Sul para discutir estratégias que permitam aos produtores aumentar a eficiência, reduzir riscos e identificar oportunidades de rentabilidade.
A proposta do Feedlot Summit é integrar análises de mercado, gestão e tecnologia em uma programação voltada para a realidade dos sistemas de recria, engorda e terminação de bovinos.
Pecuária exige planejamento e gestão diante de um cenário cada vez mais complexo
O tema desta edição do Feedlot Summit Brazil 2026, “Traçar um plano de voo seguro e lucrativo na pecuária”, reflete os desafios enfrentados atualmente pela pecuária de corte. Em um ambiente de maior volatilidade, custos elevados e mudanças nas relações comerciais, o produtor precisa ampliar a capacidade de planejamento e tomar decisões cada vez mais fundamentadas em indicadores técnicos e econômicos.
Para Rogério Coan, da Coan Consultoria, a complexidade da atividade aumentou significativamente nos últimos anos, tornando a gestão um fator determinante para a rentabilidade dos sistemas de produção. “Hoje o pecuarista enfrenta um ambiente muito mais complexo do que há alguns anos. Além da reposição valorizada, há maior volatilidade do mercado, mudanças no comércio internacional da carne e novas exigências regulatórias. Ele precisa de planejamento, indicadores e informações confiáveis para tomar decisões seguras”, afirmou Coan.
Segundo o consultor, essa realidade foi um dos principais fatores que nortearam a construção da programação do evento, que reúne conteúdos voltados à gestão, ao mercado e à atualização técnica. “A proposta é oferecer aos participantes ferramentas práticas para avaliar cenários, controlar riscos e identificar oportunidades, contribuindo para uma pecuária de corte mais eficiente, competitiva e capaz de preservar margens mesmo diante das incertezas do mercado”, destacou. “Os participantes estão tendo contato com experiências de sistemas produtivos submetidos a diferentes desafios econômicos, climáticos e regulatórios de outros países.
O objetivo é entender quais estratégias podem ser adaptadas à realidade brasileira e contribuir para melhorar os resultados dentro de cada sistema de produção”, explicou Coan. “Hoje não basta mais só colocar boi no cocho e esperar que os resultados venham. A pecuária se tornou muito mais técnica e desafiadora e mais sensível à eficiência da operação. É por isso que pecuaristas, técnicos e gestores e profissionais de toda a América Latina estão reunidos aqui em Goiânia, no Feedlot Summit Brazil. São três dias discutindo tecnologias, práticas de manejo, gestão de custo e pessoas, mercado e tudo o que realmente define margem dentro da pecuária moderna”, avaliou.
A nova era da pecuária de corte
A nova era da pecuária de corte é marcada por um cenário de profundas transformações, no qual eficiência, sustentabilidade e gestão passam a ser fatores indispensáveis para a competitividade do setor. Entre os grandes desafios estão o aumento da produtividade sem ampliar proporcionalmente o uso de recursos, a adoção de novas tecnologias, a melhoria da gestão das propriedades e a necessidade de produzir carne de qualidade, com maior eficiência e rastreabilidade. O produtor precisa tomar decisões cada vez mais baseadas em dados e planejamento, conciliando desempenho econômico com as crescentes exigências dos mercados consumidores.
Para Maurício Palma Nogueira, Eng. Agrônomo, sócio e diretor da Attenagro, o futuro da pecuária de corte dependerá da capacidade do setor de compreender essas mudanças e transformar desafios em oportunidades. Segundo ele, a profissionalização da atividade, a busca por maior eficiência produtiva e econômica e a adaptação às novas demandas ambientais e de mercado serão fundamentais para construir uma pecuária mais competitiva e sustentável. “Mais do que produzir mais, a nova era exige produzir melhor, com conhecimento, tecnologia e gestão, fortalecendo a posição da pecuária brasileira diante de um mercado cada vez mais exigente”, destacou hoje em sua apresentação.
Reposição e seu impacto na margem de lucro da recria e engorda
A reposição é um dos principais fatores que determinam a competitividade e a margem de lucro na recria e engorda, já que o custo de aquisição do animal representa uma parcela significativa do investimento necessário para produzir uma arroba. A relação entre preço de compra, qualidade genética, peso de entrada, potencial de ganho de peso e tempo de permanência na propriedade influencia diretamente o resultado da atividade. Uma reposição adquirida em condições desfavoráveis pode elevar o custo de produção e reduzir a margem, mesmo quando os indicadores de desempenho na recria e na engorda são positivos.

De acordo com Rogério Goulart, pecuarista e editor-chefe da Carta Pecuária, o pecuarista precisa tratar a reposição como uma decisão estratégica, e não apenas como uma operação de compra. “Avaliar o momento do mercado, comparar diferentes alternativas de aquisição e acompanhar cuidadosamente os custos e indicadores econômicos são medidas essenciais para aumentar a eficiência do sistema, compreender a dinâmica da reposição permite ao produtor tomar decisões mais assertivas, proteger suas margens e melhorar a competitividade da recria e engorda em um mercado cada vez mais profissionalizado”, destacou.
Como a gestão do risco de preços pode garantir margens consistentes na pecuária de alta performance
Na pecuária de alta performance, a gestão do risco de preços é fundamental para transformar produtividade em rentabilidade. As oscilações nas cotações do boi gordo, dos animais de reposição e dos principais insumos podem alterar significativamente as margens da atividade, mesmo em sistemas tecnicamente eficientes. Por isso, acompanhar o mercado, conhecer o custo de produção e estabelecer previamente preços e margens de referência são práticas essenciais para que o produtor tome decisões com maior segurança e reduza a exposição às variações do mercado.
Para Thiago Bernardino de Carvalho, professor e pesquisador da ESALQ/Cepea, a gestão de risco deve fazer parte do planejamento estratégico da propriedade, permitindo ao pecuarista antecipar cenários e proteger os resultados do negócio. “Na pecuária, produzir com eficiência é fundamental. Mas, diante da volatilidade do mercado, saber proteger a margem também faz parte de uma gestão profissional do negócio”, destacou.
“Meu objetivo foi apresentar como estratégias de gestão de risco podem ajudar o pecuarista a reduzir a exposição às oscilações de preços, planejar melhor suas decisões e buscar margens mais consistentes ao longo dos ciclos. Ferramentas de comercialização e mecanismos de proteção de preços, quando utilizados de forma adequada, podem contribuir para reduzir a volatilidade da receita e dar maior previsibilidade ao fluxo financeiro. Dessa forma, o foco deixa de ser apenas buscar o melhor preço possível e passa a ser construir uma margem consistente ao longo do tempo, fortalecendo a sustentabilidade econômica e a competitividade da pecuária”, afirmou.
Cenários e tendências do agronegócio global e brasileiro para 2026 e 2027
Os anos de 2026 e 2027 devem ser marcados por um agronegócio global cada vez mais influenciado por fatores geopolíticos, mudanças climáticas, oscilações de preços e transformações nos fluxos de comércio. A demanda mundial por alimentos, energia e fibras continuará criando oportunidades, mas em um ambiente de maior incerteza e competição entre grandes países produtores e consumidores.
Nesse cenário, acompanhar o comportamento das commodities, as políticas comerciais, as taxas de câmbio e os custos dos principais insumos será essencial para compreender os movimentos do mercado e orientar decisões de produção, comercialização e investimento.
Para Carlos Cogo, sócio-proprietário da Cogo Consultoria, especialista em análises de mercados e professor da Fundação Dom Cabral, o Brasil seguirá ocupando uma posição estratégica no agronegócio mundial, sustentado por sua capacidade produtiva, diversidade de culturas e forte presença nas exportações.
Ao mesmo tempo, segundo ele, o setor brasileiro deverá lidar com desafios relacionados à competitividade, infraestrutura, custos, crédito e às exigências cada vez maiores dos mercados internacionais. “Mais do que acompanhar as tendências, produtores e empresas precisarão interpretar os cenários e antecipar movimentos, buscando eficiência e estratégias que permitam aproveitar oportunidades e reduzir os impactos das incertezas dos próximos anos”, destacou.
“É preciso antecipar cenários é uma das melhores formas de tomar decisões mais seguras no agronegócio. E em um mercado cada vez mais conectado aos movimentos da economia global, entender o que vem pela frente pode fazer toda a diferença na estratégia do negócio. Traçamos uma análise para quem quer compreender os movimentos que podem impactar a pecuária, identificar oportunidades e se preparar para os desafios dos próximos ciclos”, disse.
Cogo apresentou uma análise do cenário para o agronegócio global e brasileiro, avaliando os principais movimentos que vão impactar os mercados nos próximos anos, mas principalmente discutiu um tema cada vez mais estratégico para a pecuária, que são os mercados de coprodutos de biocombustíveis, especialmente os segmentos de DDG e farelo de soja. “Foi uma oportunidade para entender tendências, identificar oportunidades e tomar decisões mais estratégicas em um ambiente de grandes transformações do agronegócio global”, destacou.
A Feed & Food realiza a cobertura da programação do Feedlot Summit Brazil 2026 diretamente de Goiânia (GO). Acompanhe todas as informações no portal e também nas Redes Sociais.



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