As novas regras da União Europeia para o uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos passaram a valer em 3 de setembro e ampliaram as exigências de controle para países interessados em fornecer proteína animal ao bloco. Nesse cenário, a Cargill lançou a linha Probeef Europa, protocolo nutricional sem ionóforos voltado às fases de cria, recria e terminação de bovinos.
A regulamentação europeia proíbe, nos animais e produtos destinados ao bloco, antimicrobianos utilizados para promover crescimento ou aumentar rendimento, além daqueles reservados ao tratamento de determinadas infecções em humanos. Os embarques também dependem de garantias oficiais do país exportador e de certificação das cargas.
Adequação vai além da dieta
A Cargill informa que a nova linha amplia uma estratégia nutricional iniciada em 2019 e passa a oferecer alternativas sem ionóforos ao longo de diferentes etapas do ciclo produtivo. A retirada dessas substâncias da formulação, entretanto, não representa isoladamente o atendimento às regras europeias, que envolvem controles sobre antimicrobianos e o histórico dos animais.

Identificação, registros de manejo e rastreabilidade ganham importância nesse processo. “O produtor passa a ter uma necessidade maior de organização das informações e dos processos. Quando existe um destino específico para aquele animal, os cuidados precisam estar alinhados desde o início para que a produção siga os critérios exigidos até o abate”, afirma Felipe Bortolotto, gerente de tecnologia para Gado de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal.
Brasil negocia retomada dos embarques
A mudança regulatória tem impacto imediato sobre o comércio brasileiro. Desde 3 de setembro, o Brasil está fora da lista de países autorizados a enviar carne bovina à União Europeia sob as novas regras relacionadas aos antimicrobianos.
A Comissão Europeia informou que, para os bovinos, são necessárias garantias de conformidade durante todo o ciclo de vida dos animais. Autoridades brasileiras e europeias seguem em negociação para restabelecer o fluxo comercial.
Nesse contexto, protocolos nutricionais podem integrar a preparação das propriedades, mas a adequação ao mercado europeu também depende de rastreabilidade, documentação, controles oficiais e certificação sanitária.



Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.