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Preço do leite cai 19% em um ano e margens seguem apertadas, aponta Cepea

Setor enfrenta sexta queda consecutiva nas cotações, com produção em alta e mercado saturado

Preço do leite

Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.br

O preço do leite cru pago ao produtor registrou nova retração em setembro, caindo 4,2% em relação a agosto, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A “Média Brasil” ficou em R$ 2,4410 por litro, o que representa uma desvalorização real de 19% frente ao mesmo mês de 2024 (corrigido pelo IPCA). Esse é o sexto recuo mensal consecutivo, e o setor projeta continuidade da pressão de baixa até o fim do ano, diante do mercado interno amplamente abastecido.

O aumento da produção nacional tem sustentado esse cenário. Após margens mais favoráveis em 2024, produtores ampliaram investimentos, e as condições climáticas da primavera e do verão favorecem o crescimento das pastagens. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) subiu 5,8% entre agosto e setembro e acumula alta de 12,2% no ano.

Além disso, o volume de leite disponível no país foi reforçado pelas importações, que cresceram 20% em setembro e atingiram 198,1 milhões de litros em equivalente leite — quase 80% na forma de leite em pó. Mesmo com aumento de 11% nas exportações no mês, o consumo doméstico segue abaixo da oferta. De janeiro a setembro, as importações somaram 1,65 bilhão de litros equivalentes, enquanto as exportações caíram 36,7%, para 52,9 milhões de litros.

Preço do leite
Fonte: CEPEA

Com o mercado saturado, os preços no atacado também recuaram. O leite UHT, a muçarela e o leite em pó apresentaram desvalorizações de 2,87%, 2,08% e 1,66%, respectivamente, no atacado paulista. A combinação de custos fixos elevados e margens comprimidas tem levado indústrias a reduzir o valor pago aos produtores, o que intensifica as dificuldades no campo.

Embora o Custo Operacional Efetivo (COE) tenha caído 0,9% em setembro, a queda foi insuficiente para compensar a desvalorização do produto. O poder de compra do produtor também se deteriorou: foram necessários 26,5 litros de leite para adquirir um saco de milho de 60 kg — aumento de 5,4% em relação a agosto.

A expectativa do Cepea é que a pressão sobre os preços continue no curto prazo. A produção tende a se manter em alta, impulsionada pela safra das águas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, mas em ritmo menor. Com isso, a oferta pode começar a se ajustar e permitir uma estabilização das cotações em dezembro. Uma recuperação mais consistente, contudo, é esperada apenas a partir do segundo bimestre de 2026, quando a oferta deve recuar no Sul e o mercado pode buscar um novo equilíbrio.

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