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Tecnologias digitais e IA como alavancas estratégicas da agropecuária brasileira

Avanço tecnológico fortalece rastreabilidade, eficiência produtiva e resposta do setor a exigências de mercados internacionais

A pecuária brasileira encerrou 2025 consolidando sua posição como um dos pilares da segurança alimentar global. Mesmo em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, interrupções logísticas e crescente uso de barreiras comerciais, o Brasil ampliou sua presença internacional no fornecimento de proteínas animais. Segundo balanços setoriais da ABIEC e da ABPA, o país superou, em 2025, os volumes exportados em 2024 em todas as principais cadeias, reforçando sua relevância estratégica em um mundo cada vez mais fragmentado.

Esse desempenho não se explica apenas por escala produtiva. Em um cenário global de elevada incerteza, as tecnologias digitais e a inteligência artificial (IA) tornaram-se elementos centrais para garantir eficiência, rastreabilidade e capacidade de resposta rápida a crises. Na produção primária, soluções de pecuária de precisão baseadas em dados, sensores e modelos preditivos vêm permitindo ganhos contínuos em sanidade, eficiência alimentar e bem-estar animal, reduzindo riscos e amortecendo a volatilidade dos custos de insumos, frequentemente impactados por conflitos geopolíticos e instabilidade nos fluxos comerciais.

Ao longo da cadeia, da fazenda à indústria, até consumidor e o mercado externo, a digitalização fortalece a rastreabilidade, a conformidade regulatória e a transparência exigidas pelos principais importadores globais. Em um ambiente no qual acesso a mercados depende cada vez mais de evidências digitais de origem, sustentabilidade e segurança dos alimentos, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito competitivo.

A 29ª Global CEO Survey da PwC, publicada em 2026 com destaques de líderes do agronegócio, reforça essa leitura estratégica. O estudo aponta que 33% dos executivos do agro já reportam aumento de receita associado ao uso de inteligência artificial, enquanto 50% afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, como resposta à reconfiguração das cadeias globais de valor e ao aumento da complexidade geopolítica. Outro dado relevante é que 63% afirmam que encaram a inovação como componente crítico da estratégia de negócios e 38% colaboram com parceiros externos (startups e universidades, por exemplo) para acelerar a inovação. Ao mesmo tempo, 58% dos CEOs do agro ainda não percebem ganhos financeiros diretos com IA, indicando que o retorno depende menos da tecnologia em si e mais da integração estratégica, da governança dos dados e da capacidade de execução.

Confira a matéria completa na edição 230 da Revista Feed&Food

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