O início do inverno acende um alerta para produtores de leite em relação ao aumento de doenças respiratórias nos rebanhos. Com a estação iniciada oficialmente em 21 de junho, as mudanças bruscas de temperatura, a maior permanência dos animais em ambientes fechados e falhas de ventilação podem favorecer a circulação de agentes infecciosos nas propriedades.
Segundo a Embrapa, a aglomeração de bovinos em busca de conforto térmico e a redução da circulação de ar em galpões elevam o risco de disseminação de vírus e bactérias. O problema é especialmente relevante na pecuária leiteira porque quadros respiratórios podem comprometer o bem-estar das vacas, reduzir o consumo de alimentos e afetar a produtividade das fazendas.
Ambientes fechados aumentam risco
Durante os períodos de frio, muitos animais permanecem por mais tempo em instalações fechadas ou com menor renovação de ar. Essa condição pode aumentar a concentração de gases, como a amônia, além de favorecer umidade, acúmulo de matéria orgânica e maior proximidade entre os bovinos.
As variações bruscas de temperatura também podem causar estresse térmico e queda da imunidade. Nesse cenário, o organismo dos animais fica mais vulnerável à ação de agentes infecciosos, ampliando a possibilidade de surtos respiratórios no rebanho.

Vírus e bactérias atuam em conjunto
Entre as enfermidades respiratórias mais associadas ao período estão a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina, o Vírus Sincicial Respiratório Bovino (BRSV), a Parainfluenza 3 (PI3) e a Diarreia Viral Bovina (BVD). Essas doenças podem afetar o sistema imunológico e abrir espaço para infecções secundárias.
Entre as bactérias de maior preocupação estão Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida e Histophilus somni, associadas a quadros de pneumonia. Segundo especialistas, os vírus podem fragilizar as defesas dos animais e facilitar a instalação de infecções bacterianas mais graves e de recuperação mais difícil.
Sinais clínicos devem ser monitorados
Tosse persistente, corrimento nasal ou ocular, temperatura corporal acima de 39,5°C, respiração acelerada ou pela boca, isolamento do grupo, cabeça baixa e queda brusca no consumo de alimentos estão entre os principais sinais de alerta. A observação diária do rebanho é uma das medidas mais importantes para identificar alterações ainda no início.
Quando houver suspeita de doença respiratória, a recomendação é que o produtor procure orientação de um médico-veterinário. O tratamento deve ser definido por profissional habilitado, considerando o quadro clínico, a gravidade da infecção e as condições sanitárias da propriedade.
Prevenção reduz perdas produtivas
A prevenção passa por instalações bem ventiladas, sem correntes de ar direto sobre os animais, além de camas secas e limpas, manejo adequado de lotação e redução da umidade nos ambientes. Evitar superlotação também é uma medida importante para diminuir a transmissão de agentes infecciosos.
O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais desafios, já que, quando os sintomas se tornam evidentes, o sistema respiratório pode apresentar lesões importantes. Por isso, medidas preventivas e acompanhamento constante tendem a ser mais eficazes e menos custosos do que o controle de surtos avançados.
Para a produção leiteira, o manejo sanitário no inverno é decisivo para preservar a saúde das vacas, manter o desempenho produtivo e reduzir prejuízos. Em um período de maior risco respiratório, ventilação, higiene, conforto térmico e monitoramento diário devem fazer parte da rotina das propriedades.
Fonte: Embrapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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