Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Frigoríficos de Mato Grosso do Sul começaram a suspender a produção de carne bovina destinada aos Estados Unidos após o governo do presidente Donald Trump anunciar uma tarifa extra de 50% sobre o produto brasileiro. A medida, que passa a valer a partir de 1º de agosto, já provoca impactos na cadeia produtiva e levou empresas a interromperem embarques para evitar prejuízos com estoques parados.
De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems), as indústrias estão realocando a produção que antes era direcionada ao mercado norte-americano. “É uma decisão estratégica. A carne embarcada agora só chegaria aos EUA após o início da tarifa, o que inviabilizaria a operação economicamente”, explicou Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do sindicato ao G1.

Entre os frigoríficos que paralisaram temporariamente as linhas voltadas aos EUA estão grandes players como JBS, Minerva, Naturafrig e Agroindustrial Iguatemi. As empresas agora buscam alternativas em mercados como China, Chile, Egito, Sudeste Asiático e países do Mercosul, além de redirecionar parte da produção para o mercado interno.
Impactos da tarifa
Segundo dados do setor, os Estados Unidos representam o segundo maior destino da carne bovina sul-mato-grossense, com embarques que somaram entre 40 mil e 50 mil toneladas em 2024, movimentando cerca de US$ 215 a 235 milhões. A suspensão, ainda que pontual, deve afetar a receita e pressionar os preços no mercado interno, diante do possível aumento de oferta.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) confirmou a redução no volume de produção voltado ao mercado americano e já articula medidas junto ao governo federal para tentar reverter ou ao menos adiar a aplicação da tarifa. Enquanto isso, o setor se mobiliza para mitigar os impactos e manter a competitividade internacional da carne bovina brasileira.
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