Alta nos quatro primeiros meses de 2026 foi influenciada por base baixa de comparação, enquanto consumo interno e riscos em regiões de fronteira seguem no radar da indústria
A produção de carne suína na Rússia aumentou 4,7% nos primeiros quatro meses de 2026, após um período de estabilidade registrado em 2025. Apesar do avanço, representantes do setor avaliam que o resultado não indica, necessariamente, uma retomada prolongada de crescimento em ritmo elevado.
Segundo Yuri Kovalev, presidente da União Russa de Produtores de Carne Suína, o desempenho no início do ano surpreendeu a indústria local, mas foi influenciado principalmente por uma base baixa de comparação. Em 2025, a produção havia sido afetada por desafios de segurança em regiões russas próximas à fronteira com a Ucrânia.
Regiões de fronteira afetam produção
De acordo com Kovalev, parte desses desafios voltou a impactar a dinâmica produtiva em 2026. Algumas granjas tiveram as operações interrompidas e precisaram abater os rebanhos, diante dos riscos para trabalhadores e processos produtivos em áreas consideradas mais sensíveis.
Uma das situações citadas envolve o fechamento de três unidades de produção de suínos na região de Belgorod, próxima à fronteira. A decisão foi atribuída ao alto risco operacional e à necessidade de preservar a segurança das equipes e das estruturas produtivas.

Setor entra em fase de maturidade
Mesmo com a alta registrada no início do ano, produtores russos esperam que o ritmo de crescimento perca força até dezembro. A estimativa é que a produção total de carne suína em 2026 avance entre 1% e 2% em relação ao ano anterior.
Em 2025, a Rússia produziu 6,3 milhões de toneladas de carne suína em peso vivo, volume 0,2% superior ao registrado no ano anterior. Para Kovalev, a desaceleração reflete uma transição natural do setor, que deixa para trás uma fase de expansão mais intensa e passa a operar em um mercado mais maduro.
Consumo interno mostra sinais de pressão
Um dos pontos de atenção é o comportamento da demanda doméstica. Após anos de crescimento, o consumo de carne suína na Rússia começa a mostrar sinais de enfraquecimento, em meio à pressão financeira sobre os consumidores.
Uma pesquisa recente apontou que 36% dos russos reduziram os gastos com alimentação, incluindo o consumo de carne suína. Ainda assim, analistas avaliam que o mercado interno mantém espaço para expansão, já que o consumo per capita no país é de 31,4 kg, abaixo do observado em países como Áustria, Alemanha, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, onde varia entre 40 kg e 50 kg por habitante.
As projeções indicam que a produção russa de carne suína pode crescer 750 mil toneladas até 2030. Desse total, cerca de 400 mil toneladas seriam absorvidas pela demanda interna, caso o consumo volte a ganhar força nos próximos anos.
Exportações ganham importância
Além do mercado doméstico, as exportações devem ter papel cada vez mais relevante para a indústria suína russa. Para 2026, a previsão é de aumento entre 5% e 6% nos embarques de carne suína, que podem atingir até 415 mil toneladas.
Se a estimativa se confirmar, aproximadamente 10% de toda a carne suína produzida na Rússia será destinada ao mercado externo neste ano. O movimento reforça a busca do setor por novos destinos comerciais em um cenário de crescimento moderado da produção e maior atenção à demanda interna.
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