As médias mensais do milho registradas em parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) estão entre as menores do ano, em termos nominais. A pressão vem principalmente de compradores no mercado interno e nos portos, em um cenário marcado pelo início da colheita da segunda safra e pela postura mais cautelosa dos consumidores.
Segundo levantamento do Cepea, com dados parciais de junho até o dia 18, as quedas são observadas especialmente em praças produtoras. O movimento reflete a expectativa de maior oferta com o avanço dos trabalhos no campo, fator que tem influenciado diretamente a formação de preços na maior parte das regiões monitoradas.
Compradores adiam negociações
No mercado interno, consumidores seguem atentos ao ritmo da colheita da segunda safra e indicam possuir estoques suficientes para atender à demanda no curto prazo. Com isso, parte desses agentes tem postergado novas compras, aguardando melhores oportunidades de negociação.
Outro fator que pesa sobre os preços é a queda recente das cotações internacionais, que reduz a paridade de exportação. Esse movimento diminui a atratividade das vendas externas e contribui para uma maior pressão sobre os valores praticados no mercado doméstico.

Do lado vendedor, a postura ainda é de cautela. De acordo com pesquisadores do Cepea, produtores que não precisam fazer caixa imediatamente ou liberar espaço nos armazéns têm limitado as negociações, evitando ampliar a pressão sobre os preços em um momento de maior oferta.
Clima também entra no radar
Além da dinâmica de oferta e demanda, o clima segue no radar dos agentes do setor. A atuação do El Niño foi confirmada no Brasil e pode aumentar as chuvas na região Sul, além de provocar irregularidade nas precipitações e elevação das temperaturas no Centro-Oeste.
Para o milho, o fenômeno exige atenção porque pode impactar etapas importantes do ciclo produtivo. No Sul do País, a semeadura da safra de verão pode ser prejudicada pelo excesso de chuvas. Já no Centro-Oeste, eventuais atrasos na primeira safra podem comprometer o calendário da segunda temporada, que depende de uma janela adequada de plantio.
O comportamento dos preços nos próximos dias deve seguir condicionado ao avanço da colheita, ao posicionamento de compradores e vendedores e às condições climáticas nas principais regiões produtoras. Para o mercado, a combinação entre maior oferta, demanda cautelosa e incertezas climáticas mantém o cenário de atenção.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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