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Manejo inadequado e pesca fantasma elevam riscos sanitários e ambientais na aquicultura

Expansão da piscicultura brasileira exige atenção à saúde dos peixes, à qualidade da água e à gestão de equipamentos descartados no ambiente aquático

A piscicultura brasileira segue em expansão e ultrapassou, no último levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados. O avanço reforça a importância da atividade para a produção de proteína animal, mas também amplia a necessidade de cuidados com o manejo, a sanidade dos animais e a conservação dos ambientes aquáticos.

Um dos principais desafios dentro das propriedades é o estresse dos peixes, condição que pode comprometer o desempenho produtivo e favorecer o surgimento de doenças. Segundo Cleber Daniel Almeida, consultor técnico em nutrição e saúde animal, o crescimento do setor exige atenção redobrada para manter os animais saudáveis. “A boa notícia é que o setor está crescendo, mas o cenário pede mais cuidado no manejo para manter os peixes saudáveis, principalmente devido a um dos principais desafios da atividade: o estresse”, destaca.

Qualidade da água é ponto central no manejo

Na piscicultura, o estresse pode estar relacionado a diferentes fatores, como baixa concentração de oxigênio, excesso de amônia e nitrito, variações bruscas de temperatura e alterações no pH da água. Situações de manejo, como classificação, transferência e transporte, também podem impactar os animais, especialmente quando associadas à alta densidade nos tanques, à disputa por alimento e a falhas nutricionais.

Quando submetidos a essas condições por períodos prolongados, os peixes passam a direcionar energia para mecanismos de sobrevivência imediata. Esse processo pode reduzir a resposta imunológica e afetar barreiras naturais de proteção, como pele, escamas, brânquias e intestino, facilitando a entrada e a multiplicação de agentes causadores de enfermidades.

Os sinais de alerta costumam aparecer antes da instalação das doenças. Peixes boquejando na superfície, concentrados próximos a aeradores ou entradas de água, com nado errático, letargia, isolamento do cardume e queda no consumo de ração indicam que algo pode estar fora dos parâmetros adequados. Em algumas espécies, também podem ocorrer alterações de coloração, como escurecimento ou palidez.

Trabalhador realiza a retirada de rede em área de produção aquícola, prática que contribui para reduzir riscos ambientais e reforça a importância do manejo adequado na atividade. Crédito: Imagem gerada por IA

Prevenção depende de rotina e planejamento

A prevenção passa pelo acompanhamento constante da qualidade da água, com monitoramento de oxigênio, amônia, nitrito, temperatura e pH. Além disso, evitar superlotação, reduzir o tempo de manipulação dos animais, utilizar equipamentos adequados, treinar equipes e oferecer nutrição de qualidade são medidas importantes para diminuir fatores estressantes e preservar o desempenho produtivo.

“Planejar as operações, minimizar o tempo de manipulação dos peixes, utilizar equipamentos adequados e ter equipes treinadas fazem toda a diferença. Quanto menor o estresse, maior a capacidade de os animais manterem a saúde e expressarem o potencial produtivo”, afirma Almeida.

Além dos cuidados dentro dos sistemas de produção, a gestão dos impactos ambientais da atividade pesqueira também ganhou destaque em Brasília. Na terça-feira, 16 de junho, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizou debate para a construção conjunta de políticas públicas voltadas à gestão de equipamentos de pesca perdidos, abandonados ou descartados.

Debate busca reduzir pesca fantasma

A discussão ocorreu durante a Oficina Nacional de Capacitação e Construção Coletiva dos Caminhos Normativos sobre Equipamentos de Pesca Perdidos, Abandonados ou Descartados (EPAD). A iniciativa integra o projeto GloLitter Partnerships, conduzido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Marítima Internacional (IMO), em parceria com o MPA.

O objetivo é reunir subsídios para aprimorar a gestão desses materiais e reduzir a chamada pesca fantasma, que ocorre quando equipamentos de pesca ou resíduos relacionados à atividade são descartados no ambiente aquático e continuam impactando a fauna e os ecossistemas. A oficina também integra as entregas do MPA no âmbito da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP).

Participaram do encontro representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da FAO, da Marinha do Brasil, da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (CONEPE) e da Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais. Segundo o secretário Nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva, Carlos Mello, o encontro buscou fortalecer o diálogo entre diferentes atores. “Aqui é um espaço aberto de escuta. Do conhecimento ao compromisso”, ressaltou.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura, adaptado pela equipe Feed&Food

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