O preço médio do suíno vivo recuou pelo quarto mês consecutivo em julho e chegou ao terceiro menor patamar da série histórica do Cepea na região SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. A queda foi intensificada na segunda quinzena, diante da menor procura pelo animal e pela carne suína.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a demanda pela proteína costuma perder força na segunda metade do mês, quando o poder de compra da população diminui. Em julho, as férias escolares também contribuíram para limitar o consumo. O movimento reverteu os aumentos registrados no início do mês e manteve as cotações pressionadas.

Queda supera 40% frente a dezembro
O cenário chama atenção porque o setor iniciou 2026 com expectativa de manutenção de uma demanda aquecida, após o desempenho observado no ano passado. O comportamento dos preços, contudo, seguiu em direção oposta.
Em termos reais, o suíno vivo negociado na região SP-5 acumula desvalorização de 43,1% em relação às cotações de dezembro. Para a carcaça especial, a retração chega a 36,2% no mesmo comparativo.
Os indicadores mais recentes mostram que a pressão continuou no início de agosto. Em 6 de agosto, o suíno vivo posto em São Paulo estava cotado a R$ 5,08/kg, com variação mensal negativa de 0,39%. Em Santa Catarina, o valor era de R$ 4,48/kg, com recuo de 7,63% no mês. A carcaça suína especial, por sua vez, estava em R$ 7,53/kg, acumulando queda de 8,39% em agosto até o dia 6.

Maior produção amplia disponibilidade
Além da demanda enfraquecida, o Cepea associa o movimento baixista ao aumento da disponibilidade interna. Investimentos realizados pelo setor em 2025 teriam contribuído para elevar a produção neste ano, ampliando a oferta justamente em um momento de consumo menos aquecido.
A combinação entre maior disponibilidade e compradores mais cautelosos mantém a pressão sobre os preços e aumenta a atenção dos suinocultores para o equilíbrio entre produção e demanda nos próximos meses.



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