Mesa de Mercado · CEPEA
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Perdas na Alemanha e reformas na Dinamarca pressionam mercado suíno

Mudanças podem reduzir a oferta europeia.

A suinocultura europeia enfrenta duas frentes de pressão em agosto de 2026. Na Alemanha, o ministro da Agricultura, Alois Rainer, reuniu cerca de dez entidades da cadeia produtiva em 12 de agosto, em Berlim, para discutir perdas nas granjas e limitações às exportações. Na Dinamarca, propostas ambientais e de bem-estar animal podem reduzir a produção e alterar o comércio regional de carne suína.

Alemanha cobra medidas imediatas

Segundo a Associação de Produtores de Suínos da Alemanha (ISN), mesmo após uma recuperação de € 0,10 por quilo no preço, os produtores ainda registram perdas estimadas em € 50 por animal. A entidade relaciona o cenário ao excesso de oferta no mercado europeu e à menor capacidade de escoamento para países de fora do bloco.

A mesa-redonda não resultou no anúncio de medidas imediatas. O Deutscher Bauernverband, associação de agricultores alemães, solicitou apoio à liquidez, antecipação de pagamentos da Política Agrícola Comum e instrumentos tributários para enfrentar períodos de crise.

Suinocultura europeia enfrenta perdas na Alemanha e possíveis mudanças na produção dinamarquesa. Crédito: Reprodução.

Dinamarca prepara novas regras

Para atender a objetivos climáticos e de bem-estar animal, o novo governo dinamarquês propõe uma taxa sobre emissões da pecuária a partir de 2030, aumento da idade mínima de desmame de três para quatro semanas, fim gradual do corte rotineiro de caudas e restrições adicionais ao uso de antibióticos. Também há planos de reduzir o confinamento permanente de matrizes e direcionar mais animais ao processamento interno.

O país mantinha 12,3 milhões de suínos em 2025, o terceiro maior plantel europeu, segundo dados do Eurostat citados pela AHDB. Aproximadamente 85% da produção dinamarquesa é exportada, e o país responde por cerca de 21% das importações britânicas de carne suína.

Uma eventual redução da produção pode diminuir a oferta e reorganizar fluxos comerciais na Europa, com impacto maior no Reino Unido. O movimento também pode abrir espaço para produtores britânicos, caso indústrias e varejistas busquem fornecedores alternativos.

As mudanças dinamarquesas, porém, ainda dependem de consultas e implementação. Enquanto a Alemanha enfrenta uma crise imediata de rentabilidade, a Dinamarca discute alterações estruturais que podem elevar custos e modificar a cadeia suína europeia.

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