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Peixes expõem pressão ambiental em três rios do Oeste do Paraná

Estudo da UFPR detectou estresse, lesões e alterações genéticas.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), defendida em 2025 e baseada em coletas realizadas entre 2022 e 2023, identificou sinais de degradação ambiental nos rios São Camilo, Santa Fé e Pioneiro, na região de Palotina (PR). A análise combinou parâmetros da água com respostas biológicas observadas em peixes para avaliar a saúde dos ecossistemas.

O trabalho de doutorado de Fernando Garrido de Oliveira, orientado por Lilian Dena dos Santos, avaliou pontos a montante, na região intermediária e a jusante de cada curso d’água. Foram analisados temperatura, oxigênio dissolvido, turbidez, nutrientes e outros parâmetros, além de biomarcadores em exemplares de Hypostomus ancistroides.

Biomarcadores revelam alterações nos peixes

A avaliação encontrou estresse oxidativo no fígado, sinais de neurotoxicidade, alterações nas brânquias e no tecido hepático e indicadores de danos genéticos. No conjunto da tese, os pesquisadores classificaram a qualidade das águas como baixa nas duas estações avaliadas.

Mapas mostram a variação do Índice de Saúde e Qualidade Hídrica (ISQH) no verão e no inverno nas bacias dos rios Pioneiro, Santa Fé e São Camilo, na região de Palotina (PR). Crédito: Reprodução.

Artigo científico derivado do estudo identificou ainda metais em sedimentos dos três rios. As maiores respostas dos biomarcadores foram observadas principalmente no verão e em pontos mais abaixo dos cursos d’água, indicando diferenças espaciais e sazonais na exposição dos animais.

Uso do solo entra na avaliação

A pesquisa relaciona os resultados a uma combinação de pressões existentes nas microbacias, como agricultura intensiva, escoamento superficial, urbanização, atividades produtivas e lançamento de efluentes. Os dados, porém, não permitem atribuir isoladamente a um único setor a origem dos impactos detectados.

Os pesquisadores defendem medidas como conservação de matas ciliares, controle de erosão e assoreamento, tratamento de efluentes e monitoramento contínuo da água.

Para a aquicultura, os resultados reforçam a importância da qualidade hídrica, já que alterações ambientais podem interferir nas condições necessárias ao cultivo. O estudo também demonstra como o biomonitoramento com peixes pode complementar análises físico-químicas e detectar efeitos acumulados nos ecossistemas.

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