Caroline Mendes, de Chapecó (SC)
O 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS 2025), que acontece em Chapecó, Santa Catarina, de 12 a 14 de agosto, tem sido palco de debates cruciais para o futuro da suinocultura. Em uma entrevista exclusiva à Feed&Food, Leandro Hackenhaar, um dos principais especialistas do setor, abordou a polêmica proibição do óxido de zinco na Europa e as possíveis implicações para o manejo de suínos globalmente.
Hackenhaar explicou que a decisão europeia de banir o óxido de zinco para uso terapêutico, permitindo-o apenas como nutriente em quantidades reduzidas (de 3.000 ppm para 150 ppm), foi motivada por questões ambientais e de saúde do solo. O óxido de zinco, quando utilizado em altas doses como promotor de crescimento ou para controle de diarreias, não é totalmente absorvido pelos animais e, consequentemente, acumula-se no solo através das excretas. Esse acúmulo pode levar a níveis de zinco considerados tóxicos para as plantas em áreas agrícolas próximas às granjas. A restrição visa mitigar esse impacto ambiental e promover práticas de produção mais sustentáveis. “Por precaução em muitas regiões, em algumas outras regiões já por ter ultrapassado esses níveis, a Europa optou por banir o uso do zinco como terapêutico”, afirmou Hackenhaar.
Diante do banimento, os produtores europeus foram impelidos a desenvolver e implementar novas estratégias de manejo. Segundo Hackenhaar, a solução não residiu na descoberta de um único aditivo substituto, mas sim em uma abordagem multifacetada que prioriza a prevenção de doenças. As principais estratégias adotadas incluem:
•Biossegurança Aprimorada: Implementação rigorosa de medidas para prevenir a entrada e disseminação de patógenos nas granjas.
•Manejo Adequado: Otimização das práticas de manejo dos animais, incluindo densidade populacional, ventilação e higiene.
•Controle Ambiental: Manutenção de condições ideais de temperatura e umidade para reduzir o estresse dos animais.
•Nutrição Precisa: Formulação de dietas que atendam às necessidades nutricionais dos animais de forma otimizada, fortalecendo sua imunidade e saúde intestinal. Isso inclui o uso de aditivos alternativos que promovem a saúde intestinal sem os riscos ambientais do óxido de zinco.
“A única forma que funciona é evitar que o animal fique doente”, ressaltou o especialista, enfatizando que essa abordagem integrada tem permitido a produção de suínos sem a necessidade de óxido de zinco em doses terapêuticas, mantendo índices zootécnicos satisfatórios.
A experiência europeia serve como um precedente importante para a suinocultura global. Hackenhaar revelou que o Canadá também implementará o banimento do óxido de zinco em 2027, e a China já impôs restrições significativas, limitando o uso a 1.600 ppm. Essa tendência global de redução ou eliminação do óxido de zinco em dietas de suínos sugere que o Brasil pode enfrentar pressões semelhantes no futuro. “É muito provável que mais dia menos dia isso vai acontecer no Brasil também”, alertou.
O especialista destacou a importância de o setor suinícola brasileiro mapear os riscos potenciais de contaminação do solo em suas condições climáticas e de produção. Ele expressou a esperança de que o Brasil possa desenvolver e adotar alternativas inovadoras, buscando soluções que evitem um banimento total, caso se comprove a necessidade de restrição. A discussão se concentra em como manter a produtividade e a saúde animal sem comprometer o meio ambiente.
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