A indústria avícola do Rio Grande do Sul avalia reduzir o ritmo de produção de carne de frango e derivados diante das incertezas econômicas e comerciais. A discussão, divulgada em julho de 2026, amplia para o segmento de carnes um movimento já sinalizado anteriormente pela cadeia de ovos do Estado.
Segundo a Organização Avícola do Rio Grande do Sul, a eventual desaceleração seria adotada para adequar a oferta às condições do mercado e preservar a sustentabilidade econômica de produtores e indústrias. O comunicado, porém, não informa percentuais, prazos ou volumes que poderiam ser retirados da produção.
Custos e demanda pressionam atividade
Entre os fatores apontados estão a maior cautela do consumidor, os juros elevados, a instabilidade econômica e possíveis aumentos nos custos de combustíveis, embalagens e logística.
A entidade também acompanha os efeitos das tensões geopolíticas e das oscilações do petróleo sobre os insumos utilizados pela indústria. Novas tarifas e barreiras comerciais ampliam as incertezas para empresas que atendem tanto ao mercado doméstico quanto ao comércio exterior.

Mercado europeu gera preocupação
Outro ponto de atenção é a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026. A medida está relacionada às regras europeias sobre o uso de antimicrobianos e pode atingir carne bovina, aves, ovos e animais vivos.
Segundo a Comissão Europeia, os embarques poderão ser retomados quando o Brasil comprovar o atendimento às exigências durante toda a vida dos animais utilizados na produção. Autoridades brasileiras buscam reverter a decisão e esclarecer os critérios necessários para a manutenção do comércio.
Ajuste ainda está em avaliação
Diante desse cenário, a organização afirma que cada produtor e indústria deverá analisar custos, capacidade produtiva e exposição aos diferentes mercados antes de tomar decisões.
A desaceleração aparece, portanto, como uma possibilidade para ajustar a oferta, e não como uma medida coletiva já implementada. O comportamento do consumo, dos custos e das negociações internacionais deverá orientar os próximos passos da cadeia avícola gaúcha.




