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Frimesa adotará Cobre e Solta em novos projetos para matrizes suínas

Mudança prevista a partir de 2030 amplia debate sobre bem-estar animal e modernização dos sistemas de alojamento na suinocultura

A Frimesa anunciou que, a partir de 2030, todos os novos projetos destinados a matrizes suínas passarão a utilizar o sistema Cobre e Solta como padrão construtivo e operacional. A medida foi divulgada em junho e integra a política de bem-estar animal da cooperativa agroindustrial.

O anúncio ocorre em um momento de ampliação das discussões sobre manejo, alojamento coletivo e adaptação dos sistemas produtivos na suinocultura brasileira. A decisão também se relaciona às diretrizes da Instrução Normativa nº 113/2020, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que estabelece boas práticas de manejo e bem-estar animal em granjas de suínos comerciais.

Modelo reduz tempo em alojamento individual

No sistema Cobre e Solta, as matrizes permanecem em alojamento individual por um período mais curto, ligado à cobertura e ao início da gestação, e depois são transferidas para baias coletivas. A proposta é permitir maior possibilidade de movimentação, interação e expressão de comportamentos naturais durante parte mais longa do ciclo gestacional.

Durante décadas, o alojamento individual de matrizes gestantes foi utilizado em diferentes sistemas de produção. Nos últimos anos, porém, a pressão de consumidores, compradores internacionais, varejistas, investidores e entidades ligadas ao bem-estar animal tem acelerado a busca por alternativas de manejo.

Alojamento coletivo de suínos ilustra a transição para sistemas de manejo voltados ao bem-estar animal e à modernização da produção de matrizes na suinocultura. Crédito: Divulgação/Sinergia Animal

Decisão foi construída após diálogo

Segundo a Sinergia Animal, o anúncio da Frimesa é resultado de um processo de diálogo iniciado nos últimos anos, com apresentação de estudos técnicos, experiências internacionais e propostas voltadas à ampliação de padrões de bem-estar animal na cadeia suinícola.

“Mudanças estruturais dessa magnitude não acontecem da noite para o dia. Elas são resultado de anos de diálogo técnico, construção de confiança e compromisso com soluções que conciliam competitividade e bem-estar animal. O anúncio da Frimesa demonstra que é possível avançar quando diferentes atores trabalham em conjunto”, afirma Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil.

Setor passa por transição gradual

A mudança acompanha uma tendência observada em diferentes mercados, nos quais sistemas coletivos para matrizes suínas passaram a ganhar espaço por exigência regulatória, demanda comercial ou compromissos assumidos pelas próprias empresas. No Brasil, a IN 113/2020 estabeleceu diretrizes para a adequação gradual das granjas comerciais, incluindo parâmetros relacionados ao alojamento e manejo de suínos.

Apesar do avanço, a implementação ainda depende de investimentos, adaptação das estruturas, capacitação de equipes e planejamento de longo prazo. Como o compromisso da Frimesa se aplica aos novos projetos a partir de 2030, o acompanhamento da execução será decisivo para avaliar os efeitos práticos da medida na cadeia produtiva.

Bem-estar entra na agenda competitiva

A adoção de novos padrões de alojamento também tem impacto comercial. Para empresas exportadoras e cadeias integradas, políticas de bem-estar animal podem influenciar o acesso a mercados, negociações com compradores e posicionamento diante de exigências nacionais e internacionais.

Com o anúncio, a Frimesa passa a integrar o grupo de empresas brasileiras que incorporam o sistema Cobre e Solta em seus planos de expansão ou novos projetos. A medida reforça a consolidação do bem-estar animal como tema estratégico para a competitividade, a sustentabilidade e a imagem da suinocultura brasileira.

Fonte: Sinergia Animal, Frimesa e MAPA, adaptado pela equipe Feed&Food

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