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Carta de Belém propõe pesca e aquicultura como eixos do desenvolvimento sustentável da Amazônia

Documento, assinado por mais de 30 entidades durante o IFC Amazônia, será levado à COP30 como proposta concreta para economia de baixo carbono

Durante o 2º International Fish Congress & Fish Expo Amazônia (IFC Amazônia), realizado entre os dias 23 e 25 de abril em Belém (PA), foi lançada oficialmente a Carta de Belém, assinada por mais de 30 entidades do setor de pescados. O documento reúne propostas estratégicas para consolidar a aquicultura e a pesca como pilares de uma nova economia para a Amazônia, baseada na baixa emissão de carbono e na valorização das comunidades locais. A Carta será levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro de 2025, também em Belém.

Com destaque para a baixa pegada de carbono da cadeia produtiva do pescado, o documento defende a inclusão da pesca e da aquicultura nas políticas públicas de clima, com acesso a crédito e investimento em infraestrutura sustentável. “A Amazônia não é só carbono: é água, biodiversidade e gente”, afirmou Altemir Gregolin, presidente do IFC Amazônia. “A aquicultura e a pesca bem gerenciada podem alimentar milhões de pessoas sem derrubar uma árvore”, completou, ao destacar a urgência de políticas estruturantes e apoio dos governos.

Entre as propostas-chave da Carta estão: acesso ao Fundo Clima para atividades aquícolas e pesqueiras; investimentos em hubs de inovação e infraestrutura com energia limpa; certificação e criação da marca “Pescado da Amazônia”; titulação coletiva de territórios tradicionais; e políticas de inclusão para mulheres no setor. O documento também enfatiza que o Brasil, apesar de produzir 2 milhões de toneladas de pescado por ano, ainda ocupa a 13ª posição no ranking global, e que há espaço para ampla expansão com impacto social e ambiental positivo.

Carta será levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) (Foto: Reprodução)

A Carta de Belém será entregue a representantes da COP30 e autoridades brasileiras e internacionais, como um manifesto por justiça climática e protagonismo das comunidades da floresta. O texto final reforça que não há metas climáticas viáveis sem considerar os modos de vida amazônicos e os saberes locais. “Queremos que a COP30 escute as vozes dos pescadores e aquicultores, não apenas de governos e corporações”, finalizou Gregolin.

Fonte: IFC Amazônia, adaptado pela equipe FeedFood.

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