Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Carol Mendes, da Redação I carolmendesmosca@gmail.com
Em uma apresentação didática e estratégica durante o IFC Amazônia 2025, o professor Nathan Oliveira Barros, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), detalhou como a aquicultura e a pesca podem se tornar protagonistas no mercado de carbono, transformando práticas sustentáveis em novas fontes de renda e desenvolvimento.
Barros explicou os fundamentos do crédito de carbono como ativos financeiros negociáveis e apresentou as legislações mais recentes, incluindo o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, regulamentado em dezembro de 2024. “Assim como há imposto de renda, agora há obrigação de monitorar e relatar emissões. Quem emite menos de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano está isento, mas quem ultrapassa certos limites precisa compensar, criando um mercado dinâmico e em expansão”, explicou.

O professor ressaltou que a maior oportunidade para o setor de aquicultura está no mercado voluntário, onde boas práticas, como a conversão de pastagens degradadas em viveiros, o manejo de sedimentos e o uso de sistemas de recirculação, podem gerar créditos por emissões evitadas ou sequestro de carbono. “A produção de algas, por exemplo, tem potencial mil vezes maior de sequestro de carbono em comparação a outros sistemas”, destacou.
Contudo, Barros foi categórico: “Não se trata de vender peixe para ganhar crédito de carbono, mas de usar o crédito como uma estratégia coletiva de sustentabilidade e viabilidade econômica.” Ele propôs a criação de grupos de trabalho regionais e cooperativas para reunir dados, identificar propriedades elegíveis, garantir regularização fundiária e estruturar projetos certificados, uma vez que o processo individual é financeiramente inviável para pequenos produtores.
“É preciso ciência, inovação e cooperação. O mercado existe, é real, mas só funciona com escala e organização coletiva. Se for bem feito, os recursos dos créditos podem fortalecer toda a cadeia produtiva de forma inteligente e sustentável”, concluiu.
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