Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Durante a programação do IFC Amazônia 2025, realizado em Belém (PA), o tema “Produção de peixes nativos em tanques-rede e os avanços na produção com a população monosexo de fêmeas – Uma revolução?” foi destaque na apresentação das pesquisadoras Flávia Tavares e Fernanda Almeida, pesquisadoras da Embrapa Pesca e Aquicultura. O painel abordou o desenvolvimento de tecnologias voltadas à criação intensiva de espécies nativas, com foco no tambaqui e na tilápia, e discutiu os impactos do uso de fêmeas monosexo na produtividade dos sistemas.
Abrindo a palestra, Flávia Tavares explicou a relevância dos sistemas de tanques-rede na expansão da aquicultura nacional, especialmente em ambientes controlados com suporte tecnológico. “O uso de estruturas como tanques-rede permite intensificar a produção sem a necessidade de grandes áreas, o que é estratégico para regiões como a Amazônia”, afirma. Segundo ela, o diferencial do modelo está na possibilidade de manejo sanitário, alimentação controlada e rastreabilidade dos lotes.
Na sequência, Fernanda Almeida apresentou os resultados de estudos desenvolvidos pela Embrapa sobre populações monosexo de fêmeas. Segundo a pesquisadora, a escolha por fêmeas se deve ao melhor desempenho zootécnico em algumas espécies, além da menor agressividade e da precocidade reprodutiva controlada. “A criação de lotes exclusivamente de fêmeas tem se mostrado mais eficiente em termos de conversão alimentar e homogeneidade de crescimento”, pontua Fernanda.

As pesquisadoras destacaram que o avanço das biotecnologias, como o uso da neomacho e a reversão sexual, é o que tem viabilizado a implementação da técnica em escala comercial. A estratégia, segundo Flávia, demanda planejamento genético e protocolos específicos. “Estamos lidando com um conceito que exige controle total do ambiente produtivo, desde a genética até a gestão do cultivo em tanque-rede”, explica.
Outro ponto abordado foi a aceitação de mercado e os desafios regulatórios. As pesquisadoras reforçaram que o consumidor busca produtos com rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade, o que reforça a necessidade de integrar ciência e cadeia produtiva. “Precisamos traduzir o conhecimento técnico em soluções aplicáveis, garantindo o crescimento sustentável do setor aquícola”, recomenda Fernanda.
A apresentação encerrou com uma perspectiva otimista sobre o futuro da produção com base na ciência e na inovação. Segundo as palestrantes, o uso de populações monosexo de fêmeas representa um avanço técnico e uma mudança de paradigma na aquicultura brasileira, especialmente em regiões estratégicas como a Amazônia.
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