Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
A sanidade na produção de tilápias foi tema da palestra conduzida por Henrique Figueiredo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante o IFC Amazônia – International Fish Congress & Fish Expo Amazônia, que segue até amahã, 25 de abril, em Belém (PA). De acordo com o especialista, o Brasil é atualmente o país com maior diversidade de vacinas disponíveis para tilápias, sendo referência internacional no setor. No entanto, ainda há patógenos não cobertos pelas formulações comerciais, como o Lactococcus garvieae, exigindo o uso de vacinas autógenas para um controle sanitário mais completo.
Em sua apresentação, Henrique também ressaltou a importância do treinamento adequado das equipes no manejo vacinal. “Se é para vacinar, tem que ter treinamento. Senão, você compra uma vacina cara e perde a qualidade do produto”, afirma. Com o avanço de tecnologias, como vacinadoras pneumáticas com múltiplos cilindros, ele destacou a crescente automação dos processos, desde que acompanhada por boas práticas operacionais. A adoção correta dessas medidas contribui diretamente para a redução do uso de antimicrobianos e para o fortalecimento do controle sanitário nos sistemas de produção.
Outro ponto abordado foi o crescimento da tilapicultura em estados que compõem o bioma Amazônia, como Amazonas e Tocantins, onde a produção tem avançado mesmo diante de limitações legais e estruturais. Figueiredo alertou para a necessidade de a indústria de insumos acompanhar esse movimento, com maior oferta de vacinas e estudos voltados às enfermidades regionais. “Produzir sem base sanitária é de alto risco. Precisamos de estratégias mais alinhadas às necessidades dessas novas fronteiras produtivas”, destacou.

Ao apresentar dados sobre a exportação brasileira de tilápias, o pesquisador chamou atenção para o impacto de doenças emergentes em países concorrentes, como Colômbia e México, que enfrentam surtos graves de Streptococcus agalactiae Sorotipo 2021. Para ele, o Brasil tem a seu favor a grande quantidade de informações sanitárias geradas por universidades e laboratórios, mas é fundamental incorporar o custo sanitário ao planejamento de novos projetos aquícolas. “Vacina custa caro, antimicrobiano custa caro, equipe técnica custa caro. Isso tudo precisa entrar na conta desde o início para garantir a viabilidade da produção”, finaliza.
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