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IFC Amazônia: Alerta para baixa produtividade da piscicultura nativa no Brasil

Francisco Medeiros aponta falhas estratégicas e defende um novo modelo baseado em dados, demanda do mercado e estrutura industrial.


Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Juliana Antonangelo, da Redação I juliana@dc7comunica.com.br

Encerrando as apresentações técnicas, o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, trouxe à tona reflexões institucionais com base nos dados do Anuário da Piscicultura. Ele destaca que, apesar do avanço nas ferramentas de monitoramento e dos dados disponíveis, os resultados práticos na produção de peixes nativos ainda não refletem evolução. “Tudo que fizemos nos últimos anos para os nativos deu errado. A oferta não aumentou, mesmo com mais área disponível”, afirma.

Segundo Medeiros, o setor precisa assumir que os caminhos tomados até aqui não funcionaram e que uma nova abordagem se faz urgente, especialmente na região amazônica. Ele comparou números para evidenciar a discrepância: em 2014, o Mato Grosso liderava a produção de peixes; em 2024, uma única empresa de tilápia superou toda a produção do estado com apenas 10% da lâmina d’água utilizada. “Os dados mostram uma piscicultura nativa de baixa produtividade, com 20% da área ociosa”, ressalta.

Segundo Medeiros, o setor precisa assumir que os caminhos tomados até aqui não funcionaram e que uma nova abordagem se faz urgente, especialmente na região amazônica. Foto: FeedFood e Reprodução.

O dirigente enfatiza a necessidade de escutar o mercado. De acordo com ele, o consumidor já indicou o que deseja, mas a indústria ainda insiste em promover produtos que não têm aderência. Como exemplo, citou a costela de tambaqui, premiada duas vezes no exterior, enquanto o setor continua investindo na promoção do peixe inteiro. “O consumidor quer a costela, não o tambaqui”, resume. Além disso, chama atenção para a ausência de infraestrutura industrial nas regiões produtoras: “Rondônia, maior produtor de nativos, tem apenas três frigoríficos, enquanto uma pequena cidade mineira conta com dez”.

Medeiros frisa ainda o impacto da ausência de licenciamento ambiental, principalmente para produtores da região Norte. A falta desse requisito trava o acesso ao crédito e compromete a formalização da cadeia. “Se continuarmos com estratégias que não dão resultado, a estagnação será inevitável. Precisamos de uma mudança de curso com base em dados, mercado e responsabilidade ambiental”, conclui.

O tema foi debatido durante o International Fish Congress & Fish Expo Amazônia (IFC Amazônia), que acontece até dia 25 de abril em Belém (PA).

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