Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Carol Mendes, da Redação I carolmendesmosca@gmail.com
Em palestra realizada durante o evento promovido pelo IFC Amazônia, o professor e pesquisador da UNESP, Wagner C. Valenti, destacou o imenso potencial da bioeconomia e das biotecnologias no desenvolvimento sustentável da aquicultura e pesca na Amazônia. Com base em dados de produtividade, pegada ambiental e inovação científica, Valenti propôs soluções viáveis para transformar a realidade da produção de proteína animal na região, conciliando preservação ambiental e geração de renda.
A apresentação teve como eixo central a substituição estratégica da pecuária bovina por sistemas de aquicultura em áreas de pastagens degradadas. “Com apenas 2% dessas áreas, conseguimos produzir a mesma quantidade de proteína animal que os 100% produzem hoje com bovinos”, afirmou Valenti. Essa mudança poderia liberar 98% da área para reflorestamento, sequestro de carbono e aumento da biodiversidade, além de permitir a geração de créditos de carbono altamente valorizados no mercado internacional.

Valenti ressaltou que, em um cenário de 30 anos, a regeneração induzida da floresta em conjunto com a aquicultura poderia resultar em até 540 mil toneladas de CO₂ equivalente sequestradas, comparado à emissão de 75 mil toneladas com a criação de bovinos. “É possível gerar entre 1,5 e 3 milhões de dólares em créditos de carbono, o que supera a receita da pecuária tradicional nas mesmas áreas”, explicou.
Além dos benefícios ambientais, o pesquisador apontou oportunidades no setor pesqueiro, especialmente na exploração sustentável da biodiversidade. Ele citou o exemplo da pesca do camarão-branco e dos resíduos pesqueiros, hoje descartados, que poderiam ser aproveitados na busca por moléculas bioativas. “Essas moléculas, aplicadas à biotecnologia, têm grande valor para os setores farmacêutico, cosmético e nutricional”, destacou. Projetos coordenados pela equipe da UNESP já identificaram compostos antioxidantes e desenvolveram até um aplicativo para auxiliar na identificação dessas substâncias.
A palestra foi encerrada com uma mensagem otimista, defendendo a união entre ciência, inovação e respeito à biodiversidade amazônica como caminho para uma bioeconomia robusta e sustentável. “Problemas existem, mas a ciência pode nos guiar a soluções que aliam conservação e desenvolvimento. A Amazônia pode liderar essa transformação”, concluiu.
LEIA TAMBÉM:
Compromisso Net Zero é o tema central do IFC Amazônia
Encontro de Mulheres das Águas marca a segunda edição do IFC Amazônia
IFC Amazônia 2025: Programação confirma palestras e painéis sobre pesca sustentável




