As exportações brasileiras de carne suína atingiram 138,3 mil toneladas em abril, o maior volume já registrado para o mês na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997. O resultado representa avanço de 8,2% em relação a abril de 2025, quando o país embarcou 127,8 mil toneladas.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base nos dados da Secex, abril marcou o quinto mês consecutivo de recordes nas exportações da proteína. O desempenho reforça a presença da carne suína brasileira no mercado internacional e mostra a força dos embarques em um momento de consumo doméstico mais enfraquecido.

Mercado externo ganha força
De acordo com o Cepea, a sequência positiva nas vendas externas reflete uma estratégia adotada por agentes do setor nos últimos meses. Com a demanda interna mais limitada, parte da cadeia tem direcionado maior volume ao mercado internacional como forma de reduzir a oferta doméstica.
A expectativa desse movimento seria contribuir para uma sustentação dos preços no mercado interno. No entanto, o Centro de Pesquisas aponta que as exportações representaram cerca de 26% da produção nacional em abril, volume ainda insuficiente para evitar recuos nas cotações domésticas.

Quadrimestre também avança
No acumulado entre janeiro e abril, as exportações brasileiras de carne suína somaram 526,4 mil toneladas. O volume representa crescimento de 14,4% frente ao mesmo período de 2025, também conforme dados da Secex analisados pelo Cepea.
O resultado do quadrimestre confirma o bom desempenho da proteína no comércio exterior, mas também evidencia o desafio de equilibrar os efeitos das exportações com a realidade do mercado interno. Mesmo com embarques em alta, os preços recuaram no Brasil, indicando que a oferta doméstica ainda segue pressionando as negociações.
Para a suinocultura, o avanço das exportações permanece como fator estratégico, especialmente em um cenário de consumo interno mais fraco. A continuidade desse ritmo nos próximos meses será decisiva para avaliar se o mercado externo conseguirá absorver uma parcela maior da produção nacional e contribuir para maior equilíbrio nos preços.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Fider Pescados reduz consumo de água em produção de tilápia com modelo sustentável em SP
Com Selic em 14,50%, agroindústrias ampliam busca por crédito subsidiado para manter investimentos
Conseleite cobra medidas emergenciais para conter avanço das importações de lácteos





