O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) encaminhou na última terça-feira (12) um ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais de apoio ao setor lácteo brasileiro diante do aumento das importações de produtos derivados do leite, especialmente de países do Mercosul.
O documento foi enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A principal preocupação do setor é o crescimento das cargas vindas da Argentina e do Uruguai, que, segundo o colegiado, vêm pressionando os preços internos e reduzindo a competitividade da produção nacional.
De acordo com o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o setor busca ações que permitam reduzir os custos de produção no Brasil, ampliar o apoio sanitário aos rebanhos e melhorar as condições de competitividade tanto no campo quanto na indústria.
“Queremos uma política clara que nos traga igualdade de condições para competir com os produtores no Uruguai e Argentina”, afirmou Prestes.
O dirigente destacou ainda que o objetivo inicial é intensificar o diálogo entre o governo federal e as entidades representativas da cadeia leiteira. Segundo ele, os produtores enfrentam dificuldades crescentes sem que as políticas anunciadas até agora tenham produzido resultados concretos.

“O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores de leite e ao fechamento de propriedades, como apontam os dados oficiais do IBGE e da ASCAR/Emater-RS. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi efetiva para contornar esse problema”, declarou.
Prestes também defendeu a discussão de mecanismos de salvaguarda comercial para limitar os impactos das importações. “Enquanto não atacarmos a raiz dessa questão, que é a entrada de leite importado, estudando salvaguardas, continuaremos em crise”, acrescentou.
No documento, o Conseleite argumenta que o Brasil figura entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Segundo dados do IBGE e da Embrapa citados pela entidade, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, com forte participação da agricultura familiar.
Nos últimos anos, porém, produtores, cooperativas e indústrias nacionais passaram a enfrentar pressão econômica crescente devido ao aumento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados lácteos oriundos do Mercosul.
Segundo o coordenador do conselho, os preços praticados pelos produtos importados chegam ao mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção nacional, provocando desequilíbrio concorrencial.
Além da questão dos preços, o setor aponta diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e regulatórias entre os países como fatores que ampliam a desigualdade competitiva. “O que temos hoje são condições desiguais de competitividade que favorecem nossos vizinhos a posicionarem sua produção no mercado brasileiro. Precisamos de equidade para competir com esses países”, afirmou Prestes.
Dados apresentados pela entidade mostram que, entre janeiro e abril de 2026, ingressaram no Brasil cerca de 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. O volume equivale a aproximadamente 709 milhões de litros de leite, o correspondente a 11 dias da produção nacional. Em estados como o Rio Grande do Sul, o montante representa cerca de 60 dias de produção leiteira.
Fonte: Conseleite, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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