Mesa de Mercado · CEPEA
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Câmbio valorizado pressiona preços da soja, enquanto incertezas políticas ampliam riscos para o produtor

No ambiente doméstico, as incertezas relacionadas ao processo eleitoral tendem a elevar o prêmio de risco do país.

Câmbio valorizado

A valorização do real no início de 2026 tem exercido pressão adicional sobre os preços da soja no mercado interno, ao mesmo tempo em que o cenário político doméstico adiciona incertezas ao comportamento do câmbio ao longo do ano. A avaliação consta em análise da área de Pesquisa Econômica do Itaú BBA, que projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,50 por dólar em 2026, refletindo uma desvalorização moderada e gradual da moeda brasileira no médio prazo.

No ambiente doméstico, as incertezas relacionadas ao processo eleitoral tendem a elevar o prêmio de risco do país, especialmente à medida que a disputa se intensifica. Historicamente, períodos de maior incerteza política aumentam a cautela dos investidores e podem abrir espaço para a depreciação do real, à medida que o mercado exige maior remuneração para manter posições no Brasil.

Apesar dessa projeção, o ano começou com um movimento de apreciação cambial, que já trouxe impactos relevantes para os preços recebidos pelo produtor rural. Segundo os analistas, não é possível descartar que essa tendência de fortalecimento do real se estenda por mais algum tempo, ampliando os desafios para a rentabilidade no campo.

Câmbio tem efeito direto sobre o preço da soja

A queda da taxa de câmbio para patamares abaixo de R$ 5,30 por dólar foi determinante para que a soja no mercado spot de Mato Grosso recuasse para níveis inferiores a R$ 100 por saca. Para dimensionar esse impacto, o Itaú Unibanco simulou cenários com o real ainda mais apreciado, considerando taxas de R$ 4,75 e R$ 4,50 por dólar.

A análise utilizou como referência o contrato de março da Bolsa de Chicago (CBOT) e prêmios próximos aos atuais, estimados em 1.100 centavos de dólar por bushel em Chicago e 25 centavos por bushel no porto de Paranaguá. Nesse cenário, um câmbio de R$ 4,50 por dólar poderia levar o preço da soja a patamares abaixo de R$ 90 por saca em Mato Grosso.

Os economistas ressaltam que a projeção de câmbio do banco para o fim de 2026 segue em R$ 5,50 por dólar e que o objetivo das simulações é evidenciar o impacto da volatilidade cambial sobre o negócio agrícola, reforçando a importância da gestão de risco e do monitoramento das variáveis que compõem a formação de preços.

Câmbio valorizado
O ano começou com um movimento de apreciação cambial, que já trouxe impactos relevantes para os preços recebidos pelo produtor rural. Foto: Reprodução.

Pontos de atenção para o mercado

O relatório destaca alguns fatores que merecem atenção nas próximas semanas e que podem influenciar a dinâmica de preços da soja:

A comercialização da safra 2025/26 avançou em janeiro, mesmo com a queda das cotações, mas cerca de dois terços da produção ainda permanecem sem negociação. Despesas a pagar e o receio de novas baixas levaram produtores a aproveitar oportunidades no mercado internacional, embora as vendas sigam atrasadas e haja grande volume a ser absorvido pelo mercado.

Os prêmios de exportação, apesar de terem recuado recentemente, ainda se mantêm em território positivo. Caso continuem caindo com o avanço da colheita, podem intensificar a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Os custos de frete já apresentaram alta mais acentuada em janeiro. Uma safra recorde, concentrada em um período mais curto do que no ano anterior, tem pressionado a logística, e esse aumento de custos tende a ser repassado ao produtor.

Outro ponto no radar é a regulação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). A expectativa de elevação dos mandatos de biocombustíveis pode estimular o processamento de soja na safra 2026/27, trazendo impacto sobre a demanda.

A demanda externa, especialmente da China, também segue como fator-chave e pode influenciar decisões de área plantada nos Estados Unidos nas próximas temporadas.

Volatilidade deve marcar o câmbio em ano eleitoral

Segundo a análise, o real seguirá influenciado por forças opostas ao longo de 2026. De um lado, fatores externos mais favoráveis sustentam moedas de mercados emergentes. De outro, o ambiente doméstico, marcado por incertezas fiscais e políticas, tende a prevalecer, limitando uma valorização mais consistente da moeda brasileira.

Com a aproximação do período eleitoral, a expectativa é de maior volatilidade cambial, tornando o câmbio mais sensível a sinais relacionados à política econômica e ao cenário fiscal do país.

Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed & Food.

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