A decisão da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), prevista para o próximo dia 27 de maio, sobre a possível classificação da tilápia como espécie invasora tem gerado preocupação no setor aquícola brasileiro. Representantes da cadeia produtiva alertam para possíveis impactos regulatórios, econômicos e sociais caso a medida seja aprovada.
Segundo a Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), a tilápia responde atualmente por quase 70% de toda a produção da piscicultura nacional. O segmento movimenta mais de R$ 6 bilhões por ano e registrou crescimento superior a 130% na última década, desempenho acima de outras cadeias de proteína animal.
A secretária executiva da entidade, Marilsa Patricio Fernandes, afirma que a eventual classificação poderá trazer restrições para o setor, especialmente em áreas como licenciamento ambiental, acesso a crédito, expansão produtiva e exportações.

“Não há dúvidas de que a imagem do setor será arranhada e isso vai trazer como consequência econômica redução crítica nos investimentos, encarecimento de produção e perda de competitividade”, afirmou.
Entre os possíveis efeitos regulatórios apontados pela Peixe SP estão o endurecimento do licenciamento ambiental, limitações para uso de reservatórios e tanques-rede, aumento do rigor sanitário e dificuldades para ampliação da atividade.
O setor também destaca os reflexos sociais da medida. De acordo com a entidade, mais de 110 mil propriedades rurais brasileiras trabalham atualmente com o cultivo da tilápia. A cadeia produtiva reúne cerca de 600 mil empregos diretos e indiretos, envolvendo produção, transporte, frigoríficos, fabricação de ração, processamento e varejo.
“Milhares de famílias sobrevivem da tilapicultura, uma atividade legítima e organizada”, disse Marilsa.
A executiva defende que a atividade possui reconhecimento internacional pela adoção de boas práticas produtivas e pelo avanço tecnológico alcançado nas últimas décadas. Para ela, a decisão da Conabio deve considerar a importância da tilapicultura para a geração de renda, o desenvolvimento regional e a segurança alimentar no país.
A votação da comissão ocorre em meio ao debate entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico da cadeia aquícola brasileira.
Fonte: Peixe SP, adaptado pela equipe da Feed&Food
LEIA TAMBÉM:
Eficiência operacional é a chave para a competitividade logística no Brasil
Anec eleva projeção de embarques de soja em maio para 16,13 mi de t





