Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de suínos brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2025 com resultados expressivos nas exportações, compensando a estabilidade ou queda nos preços internos do animal e de seus cortes. Segundo o Boletim do Suíno, elaborado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o volume exportado entre janeiro e junho alcançou 713,4 mil toneladas, alta de 17,5% em relação ao mesmo período de 2024, marcando novo recorde da série histórica iniciada em 1997.
Em junho, o Brasil embarcou 135,5 mil toneladas de carne suína (in natura e industrializada), avanço de 15,3% frente a maio e de 28% na comparação anual. O montante só foi superado por julho de 2024, quando foram escoadas 137 mil toneladas. A receita com as exportações também foi significativa, somando R$ 1,88 bilhão no mês (+14,8% ante maio e +49,4% sobre junho/24). No semestre, o total alcançou R$ 9,82 bilhões, 49% acima do mesmo período do ano passado.
O bom desempenho nas vendas externas foi impulsionado por maior demanda de países asiáticos. As Filipinas foram o principal destino no acumulado do ano, respondendo por 22% do volume exportado, seguidas por China (13%) e Japão (8%). Em junho, os embarques para essas nações cresceram, respectivamente, 19,5%, 29,2% e 55,7%. Mercados como Angola e Libéria também ampliaram as compras.

Preço do suíno instável e poder de compra do produtor
No mercado interno, os preços do suíno vivo oscilaram em junho. Em São Paulo (SP-5), o valor médio foi de R$ 8,55/kg, praticamente estável frente a maio. Em São José do Rio Preto (SP), houve avanço de 1,7%, enquanto em Braço do Norte (SC), a queda foi de 2,6%. No geral, a oferta ajustada e o aumento sazonal da demanda na primeira quinzena contribuíram para altas pontuais, mas a segunda metade do mês teve estabilidade ou recuo de preços.
A carcaça especial suína foi negociada a R$ 12,52/kg no atacado da Grande São Paulo, com retração de 1,8% em relação a maio. A carne perdeu competitividade frente ao frango, cujo preço médio caiu 13,4% no período, mas ganhou em relação à carcaça bovina, que recuou apenas 0,4%.
Por outro lado, o poder de compra do suinocultor paulista melhorou. Com a queda de 7% no preço do milho e de 4,9% no farelo de soja, o produtor conseguiu adquirir mais insumos com a venda de cada quilo de suíno. Em junho, foi possível comprar 7,53 kg de milho e 5,02 kg de farelo, aumentos mensais de 7,5% e 5,3%, respectivamente.
LEIA TAMBÉM:
Tensão com tarifaço marca início do Acricorte em Cuiabá
ABPA manifesta preocupação com tarifa dos EUA e defende solução diplomática
ABIEC critica aumento de tarifas dos EUA e alerta para impactos na carne bovina brasileira






